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Clipping Dezembro 2019




Sul Informação, 12 de Dezembro de 2019

Correio da Manhã, 15 de Dezembro de 2019

Correio da Manhã, 20 de Dezembro de 2019

Vida de Bombeiro, 20 de Dezembro de 2019

Campo Aberto




Se tiver conhecimento de outras ocorrências do RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens na comunicação social, por favor informe-nos para rias.aldeia@gmail.com.

No último Sábado Livre do ano devolvemos à Natureza um ouriço-cacheiro

Naquele que foi o último Sábado Livre do ano de 2019, o RIAS devolveu à Natureza mais um ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus). Este mamífero ingressou no nosso centro no final de Outubro, pesando apenas 100g. 

Agora, dois meses e cerca de 400g mais tarde, foi possível devolvê-lo à Natureza.




No Sábado Livre que antecede o Natal, devolvemos à natureza um guincho-comum e uma garça-boieira

No passado fim-de-semana foram devolvidas à Natureza duas aves: um guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus) e uma garça-boieira (Bubulcus ibis). 

A primeira ave ingressou no RIAS há cerca de um mês com sintomas compatíveis com intoxicação gastrointestinal, o que implicou administração de fluídos e uma alimentação adequada. 



A garça ingressou no centro há cerca de 10 dias, apresentando alguns sinais de debilidade, que foram rapidamente ultrapassados, permitindo a sua devolução à Natureza pouco tempo depois de a recebermos.






Como foi a passagem do Mauro pelo RIAS!

"O RIAS (Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens) nasceu em 2009, pertencendo à Associação ALDEIA. Situa-se dentro do Parque Natural da Ria Formosa, uma das sete maravilhas naturais de Portugal, a transbordar de biodiversidade e história. Tive o privilégio de o visitar no final de 2010. Arregalei os olhos e palpitou-me o coração quando lá entrei pela primeira vez. A bem dizer, era um hospital de animais selvagens com uma dinâmica desconhecida para um biólogo a terminar a licenciatura. Nesse tempo, o RIAS ainda tinha muito a crescer, tal como eu. 

A oito de fevereiro de 2011, no dia a seguir a terminar o último exame do curso, iniciei um voluntariado de seis meses. Eu estava verde mas entusiasmado por começar a minha primeira experiência de trabalho. Estava disposto a fazer tudo e mais alguma coisa, e tive o que queria. Desde o início que me puseram à vontade. Cada dia era diferente do anterior, apesar de haver rotinas base como limpar as caixas de contenção dos animais em recobro, alimentação de todos os internados e a manutenção diária do espaço. Posso afirmar que limpei muita porcaria, valendo a pena cada ínfimo segundo pela experiência que adquiri e pelas pessoas que conheci. Em meros seis meses o RIAS superou tudo o que aprendera em três anos de faculdade. É efectivamente com as mãos na massa que se conhecem realidades e se evolui, e lá incutiram-me uma responsabilidade ambiental perante o planeta que professores universitários não conseguiram fazer. 

Vi em directo, o que era conservação da natureza, esta sempre aliada às pessoas; porque sem elas não há esforço para o aplicar. Vi as dificuldades de financiamento para a área, o pequeno nicho da população que se preocupa e está disposto a ajudar sem criar desculpas e todo o processo de recuperação de um animal vindo do estado puro e selvagem. Refinei conhecimentos de biologia, ecologia, veterinária, comunicação e até de bricolagem. O procedimento geral do RIAS nunca foi linear, as suas valências estendiam-se desde a recepção dos animais, tratamentos simples como repouso e nutrição ou complexos que envolviam cirurgias e treinos de voo e libertação final, muitas vezes com presença do público. 


Na parte de sensibilização ambiental, tal era feita com o apoio de uma sala aberta que servia como centro de interpretação. Recheada de restos de animais como patas e asas tratadas, esqueletos, frascos com pequenos animais conservados em álcool, guias de espécies e ainda vídeos e fotografias, tudo isto era combustível para abrir as almas dos visitantes ao mundo natural que os rodeava. Enquanto radiografias de animais internados, armadilhas e anzóis serviam de exemplo da negligência humana perante as criaturas do rico ecossistema da Ria Formosa e não só. Também neste local se aceitavam os donativos, estes muito importantes como complemento monetário para a subsistência do próprio RIAS e cuidados dos seus pacientes.


A mudança era constante, voluntários e estagiários em rotação, projectos em discussão, havia estruturas para erguer ou alterar, workshops para organizar, bases de dados para renovar, comida e menus específicos a preparar e contactos a fazer com outras entidades. Quanto à fauna, havia animais a passar do internamento para as câmaras externas, uns para examinar, outros para pesar e outros tantos para medicar. No meio da azáfama, havia também uns para soltar por fim, causando importantes sorrisos à equipa e outros para colocar no congelador pois não sobreviveram, causando mágoas e aprendizagens igualmente importantes. Recordo a vez em que segurei uma gaivota enquanto era eutanasiada e senti os seus últimos batimentos cardíacos, embaixadora dos animais que não conseguimos salvar.

O RIAS permitiu-me fazer e viver tanto. Lembro-me com profundo carinho quando de ir em sua representação ao ENEB em Peniche, ir a Mértola e a Castelo Branco libertar abutres, fazer o workshop de necropsias e o de fotografia, ir fazer apresentações a escolas, ajudar em monitorizações de aves na ETAR, levar crias de melro para casa para as alimentar durante a noite, acompanhar vigilantes da natureza em contagens de ninhos nas ilhas da Ria, dos convívios e festas entre a equipa e muito mais. Por estas razões, quando terminei o voluntariado, continuei a passar lá várias vezes por mês, para ajudar, levando comigo diversas pessoas para conhecerem o local e o magnífico trabalho. Enquanto lá estive, mesmo que o cansaço me acompanhasse, acordava sempre com vontade de fazer mais.


Uma das componentes por onde passei foi a colaboração no LIFE Trachemys, que tinha como objectivo retirar cágados invasores das lagoas do Algarve, enquanto fêmeas de cágado-de-carapaça-estriada nidificavam dentro de instalações adequadas no RIAS. Aí subi mais um patamar nas escadas da vida, percebendo ao mesmo tempo a máquina institucional que catalisa e regula esse tipo de projectos e faz de facto avançar aos poucos a conservação da natureza. 
Guardo as memórias olfactivas de necrópsias, limpezas do biotério, e de poupas juvenis, sentindo que até hoje sou imune a muita coisa. Guardo com vincos felizes, fotografias de camaleões estrábicos, mochos zangados, momentos de lazer e dos amigos que fiz para o resto da vida.

Hoje em dia, mais de 10 anos depois, o RIAS encontra-se melhor que nunca. O trabalho realizado é famoso além Algarve e além-fronteiras, mas sobretudo reconhecido pelo seu valor tanto na sensibilização da população como na recuperação de animais. Recebe milhares de animais por ano, tendo aumentado o número de pessoas a trabalharem lá, e ainda bem. Consegue ser fonte de ciência devido aos vários projectos e extensa base de dados, especialmente no mundo da ornitologia. Hoje em dia tem um apoio extra do Município de Olhão, o qual percebeu o como este centro é uma mais-valia para todos. Não é de estranhar que o RIAS se tenha convertido num farol na vida de muitas pessoas com quem me cruzo, pois sabemos e sentimos que foi uma altura em que participámos num trabalho verdadeiramente crucial, sustentável e ético. Agora é seguir e crescer! Saudades eternas… À família RIAS, das pessoas que o construíram até às que o mantêm - um enorme obrigado!"

Mauro Hilário


Fomos até Lagoa para realizar mais um Workshop de Identificação de Fauna e Primeiros Socorros

Quarta, dia 4 de Dezembro, deslocámo-nos até ao Sítio das Fontes, em Lagoa para realizar um Workshop de Identificação de Fauna e Primeiros Socorros.

Esta foi uma atividade integrada na parceria que o RIAS tem com o Município de Lagoa.


Começámos por apresentar os animais mais comuns (aves, mamíferos e répteis) a ingressar no nosso centro e as respetivas causas de ingresso. 


Mais tarde, explicámos como proceder caso se encontre um animal ferido ou debilitado, e mostrámos quais os primeiros socorros que a equipa veterinária realiza quando o animal chega.






Devolvidas à Natureza duas pegas-rabudas que ingressaram depois de mais de 6 anos em cativeiro ilegal

Em meados de Junho, ingressaram no RIAS duas pegas-rabudas (Pica pica). Sem conhecimento de que era ilegal manter estes animais em cativeiro, a pessoa que as tinha em casa, decidiu trazê-las depois de mais de seis anos em sua posse.

Pelo facto de estarem a viver numa gaiola, ingressaram com várias penas danificadas e garras com malformações.

O processo de recuperação de um animal que tenha estado em cativeiro é sempre mais complicado. Assim, foram necessários seis meses para considerarmos estas aves aptas a sobreviver na Natureza.

Para nos ajudar neste Sábado Livre contámos com a presença de algumas famílias e da Escola de Infantes e Cadetes de Vila Real de Santo António





Para além de visitarem o RIAS e conhecerem o nosso trabalho, presentearam-nos com diversos donativos, entre eles material de limpeza e ração. 



Um grande obrigada pelo vosso contributo e apoio!

Um dia preenchido de devoluções à Natureza de ouriços-cacheiros

Não há altura do ano em que não hajam ouriços-cacheiros a recuperar no RIAS. Chegam-nos atropelados, atacados por cães, mas principalmente debilitados, por terem perdidos os progenitores e/ou não conseguirem encontrar alimento.

Mas após algumas semanas no nosso centro, e após terem peso suficiente, é hora de os devolver à Natureza e esperar que tenham mais sorte desta vez.

Foi o que aconteceu no início de Dezembro. Tendo cinco ouriços-cacheiros recuperados e prontos a regressar ao seu habitat, chegou a altura de entrar em contacto com quem os encontrou e decidiu ajudar, para que, se possível, estivessem presentes neste momento.




Recebemos neste dia a visita de um grupo de professores no âmbito do projeto Erasmus+ "We Share One Future -Learning and Acting to Transform", que está ser desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira. Surpreendendo o grupo, e aproveitando a sua visita, devolvemos à Natureza mais um ouriço. 







Como foi a 4ª edição do Curso Prático de Introdução à Medicina de Fauna Selvagem

Entre 29 de Novembro e 1 de Dezembro realizámos a 4ª edição do Curso Prático: Introdução à Medicina de Fauna Selvagem.

Com inscrições esgotadas, recebemos neste fim-de-semana, estudantes de veterinária, biólogos, ou apenas curiosos por esta temática.

Iniciámos o curso com a apresentação de noções básicas sobre o funcionamento de um centro de recuperação, e a apresentação da Rede Nacional de Centros de Recuperação. 

Os módulos seguintes foram dedicados à identificação de fauna selvagem mais comum em centros, mais especificamente, aves, mamíferos e répteis . 



Para pôr à prova os conhecimentos dos nossos participantes, enumerámos diversas espécies, e deixámos que as identificassem. 




A forma como se captura um animal selvagem e como se manipula é extremamente importante. O método utilizado deve ser sempre adequado à espécie em questão, pois não se procede da mesma forma para um melro, um bufo-real, ou para uma gaivota.






Depois de aprenderem a realizar o exame físico para determinar a causa de ingresso, foi hora de praticar a administração de fluídos e colocação de ligaduras.





Para terminar o fim-de-semana em cheio, os participantes foram conhecer as instalações do RIAS. Desde o Centro de Interpretação Ambiental, ao espaço onde preparamos o alimento dos animais, à clínica, sala de cirurgia e raio-x, até ao internamento e instalações exteriores.






Foram três dias de aprendizagem e passagem de conhecimento, que esperamos terem ido de encontro às expectativas de quem participou. 

Obrigada!

Vários grifos marcados com transmissores e devolvidos à Natureza

Recebemos novamenteno final de Novembro, a equipa liderada por Ivan Literák (Departamento de Biologia e Doenças da Vida Selvagem, da Universidade de Ciências Veterinárias e Farmacêuticas, na República Checa)

Esta é uma parceira que começou há alguns anos, tendo sido publicado artigos sobre novos parasitas (tremátodes) de aves selvagens. 

Este ano, após termos recebido Lenka Rozsypalova para um estágio de um mês, deu-se início à marcação de aves de rapina no âmbito da sua tese de doutoramento. Nessa altura foi marcado e libertado um tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus) - pode ver a publicação AQUI!

Desta vez, foram marcados três grifos (Gyps fulvus) e outra águia-pesqueira (Pandion haliaetus).




A águia-pesqueira foi devolvida à Natureza no início do mês de Dezembro, no Moinho de Maré, na Quinta de Marim (publicação AQUI).

Para estes três grifos, a Quinta de Marim não é o local mais apropriado. Por essa razão, o RIAS e alguns Vigilantes da Natureza do ICNF deslocaram-se até Alcaria Ruiva, no Baixo Alentejo para devolver estes animais a um habitat que lhes é preferencial.