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A mostrar mensagens de Outubro, 2018

Metade dos ingressos na semana passada corresponderam a gaivotas

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) publicou, na passada sexta-feira, um comunicado de interdição de apanha e comercialização de várias espécies de moluscos bivalves no litoral algarvio, de São Vicente a Olhão. O motivo desta interdição prende-se com a presença de elevados níveis de biotoxinas paralisantes que, através da ingestão do bivalve, podem causar intoxicação.

Embora nós, humanos, estejamos conscientes e informados deste perigo, o mesmo não acontece com os outros animais e, por esse motivo provável, cerca de metade dos animais ingressados no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens na semana passada foram gaivotas com um quadro clínico consistente com paresia. Estas gaivotas, algumas delas mortas, encontravam-se magras e desidratadas, e apresentavam sinais clínicos de depressão do estado mental, diarreia, e fraqueza muscular generalizada, normalmente observada na paralisia das patas.

Gaivotas em recuperação em câmara de muda no RIAS.




No total, deram entrada 55 animais no RIAS durante a semana passada, e para além de nove gaivotas-de-patas amarelas (Larus michahellis) e 21 gaivotas-d'asa-escura (Larus fuscus), contam-se uma cegonha (Ciconia ciconia) com um trauma, um juvenil de grifo (Gyps fulvus) debilitado, um ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) com suspeitas de doença, e um coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) com mixomatose, entre outros casos.


Coelho-bravo com mixomatose, actualmente em recuperação no RIAS.



Por outro lado, o RIAS também abriu as portas para a libertação de vários animais recuperados. Um coelho-bravo ingressado com mixomatose no dia 6 de setembro, teve uma recuperação notável com o auxílio de fluidoterapia e antibióticos, e foi libertado pela menina que o apadrinhou. Foram também libertadas duas rolas-turcas (Streptopelia decaocto) encontradas aqui bem perto, em Quelfes, e que haviam caído do ninho. A marcar o final da semana, realizou-se o primeiro SÁBADO VIVO, um evento no qual se devolveram à natureza quatro animais selvagens!


SÁBADO LIVRE | Estreia com a devolução à natureza de quatro animais selvagens

No RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens acreditamos que a conservação futura de muitas populações e espécies selvagens só poderá ser alcançada através da consciencialização da sociedade presente para a importância da biodiversidade. Com o objectivo de nos aproximarmos à população em geral e podermos sensibilizar a comunidade local para as temáticas ambientais, decidimos criar o SÁBADO LIVRE.

O SÁBADO LIVRE é um evento no qual todos podem assistir ao momento mais recompensador do trabalho desenvolvido no RIAS: a devolução dos animais à natureza! Todos os Sábados iremos abrir as portas do RIAS, na Quinta de Marim em Olhão, para libertar algum animal selvagem e acolher a vossa visita ao nosso Centro de Interpretação Ambiental.


Visita ao Centro de Interpretação Ambiental do RIAS.
Mais de vinte pessoas, incluindo alguns Vigilantes da Natureza, estiveram nesta estreia em que puderam assistir, ou mesmo realizar da própria mão, a devolução à natureza de quatro animais selvagens. Um gaio (Garrulus glandarius) e uma garça-boieira (Bubulcus ibis) voaram de regresso à natureza desde a mão de crianças, enquanto uma poupa (Upupa epops), recebida 25 dias antes com uma clavícula fracturada, voou perfeitamente após abrir a caixa que a continha.

Devolução à natureza de um gaio juvenil que esteve dois meses em recuperação no RIAS após ter ser recolhido em cativeiro ilegal.
Garça-boieira libertada 24 horas após ter ingressado no RIAS sem problemas aparentes.

No entanto, o momento alto deste primeiro SÁBADO LIVRE foi protagonizado pela devolução à natureza de uma doninha (Mustela nivalis). Esta cria orfã chegou ao RIAS no início de Setembro, sendo alimentada com biberão e papas nas primeiras três semanas e posteriormente com alimento vivo, de modo a estar apta a caçar uma vez regressada à natureza. Para quem não esteve, deixamos aqui as alegres e rápidas imagens da sua devolução à natureza:



Contamos consigo no próximo Sábado... LIVRE!

Vem aí o... SÁBADO LIVRE!

Amanhã teremos uma novidade para todos...
                                                  ...o primeiro SÁBADO LIVRE! 


Junte-se connosco no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, na Quinta de Marim em Olhão, às 17:00 para assistir a um momento muito especial na vida de um animal selvagem.

Ajudem os nossos gansos-patola!

Muitas pessoas não estranham o nome ganso-patola, em grande parte devido o ganso-patola-de-patas-azuis protagonista de inúmeros documentários televisivos de vida selvagem. Porém, quase todas surpreender-se-iam ao saber que os gansos-patola também ocorrem em Portugal. Obviamente, não é a espécie de patas azuis, restrita ao Oceano Pacífico, mas o nosso ganso-patola (Morus bassanus), também designado por alcatraz, é a maior ave marinha que ocorre habitualmente em águas portuguesas. Esta espécie reproduz-se no Atlântico Norte, com as maiores colónias nas ilhas Britânicas, e, em Portugal, é observada sobretudo durante as migrações outonal (Setembro a Novembro) e pré-nupcial (Janeiro e Fevereiro), por vezes muito próximo da costa.

Ganso-patola adulto numa câmara de recuperação do RIAS.



Embora a espécie enfrente algumas ameaças relacionadas com algumas artes de pesca e a contaminação por acumulação de metais pesados, no RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens ingressam principalmente indivíduos encontrados em terra num elevado grau de debilidade, alguns já mortos. Desde o início de Setembro, recebemos já mais de vinte gansos-patola, na sua maioria juvenis que por debilidade vêm-se forçados a interromper a sua primeira viagem para as áreas de invernada ao longo da costa ocidental de África. Para uma recuperação adequada, cada uma destas aves necessita diariamente de cerca de 800g de peixe que, por falta de contribuições, muitas vezes escasseia nas nossas arcas frigoríficas.

Devolução à natureza de ganso-patola juvenil em frente à Ilha do Farol, Faro. 






Se acha que pode ajudar à recuperação destas aves, contribua com uma oferta de peixe ou faça um donativo ao RIAS para a sua compra, Em qualquer dos casos, não hesite e CONTACTE-NOS!

Ganso-patola devolvido à natureza junto à Ilha da Fuzeta, Olhão.


O primeiro mês da Inês

O meu nome é Inês Campos. Sou natural de Silves e desde muito pequena tenho uma enorme fascinação pela vida selvagem. Foi algo que resultou de muitas horas em frente da televisão a ver documentários de vida selvagem da BBC, e de muitas férias de Verão passadas na casa dos meus avós, onde criei empatia com animais domésticos, quer fossem cães, gatos, galinhas, patos ou coelhos.

Enquanto criança, queria ser médica veterinária quando fosse grande. Contudo, ainda não me tinha apercebido que o meu terrível medo de agulhas faria desta opção algo impossível. Por essa razão, dirigi o meu percurso académico para a área da Zoologia, tendo estudado os últimos três anos na Universidade de Reading, em Inglaterra. Neste curso tenho aprendido sobre várias áreas da ciência animal, como Ecologia, Conservação, Ornitologia, Entomologia e Comportamento Animal, de uma maneira tanto prática como teórica, sem qualquer envolvimento de agulhas.

Realizando tarefas de manutenção no biotério do RIAS.

Entre Outubro e Maio, realizarei no RIAS o meu estágio curricular, tendo o objectivo de seguir carreira profissional na área da conservação. Espero aprender mais sobre a biodiversidade da região do Algarve e ao mesmo tempo saber os maiores obstáculos para a sua preservação e conservação!

Uma semana mais com ingressos de migradores estivais

Enquanto hospital de fauna selvagem, o trabalho do RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens consiste na recepção e tratamento de animais que são encontrados feridos ou debilitados e posterior libertação. Na última semana, foram admitidos 64 animais no RIAS, dentre os quais um ouriço-cacheiro, recebido no Sábado, foi o único registo que não correspondeu a aves. 

Embora estejamos quase no final de Outubro, e a época de migração outonal já avançada, ainda deu entrada no RIAS um noitibó-cinzento. Esperamos que este indivíduo, que se encontra internado devido a um trauma, recupere rápido para poder chegar ao destino da sua migração, em África. Por outro lado, um noitibó-de-nuca-vermelha foi devolvido à natureza na passada terça-feira. À semelhança do seu congénere, o noitibó-cinzento, também esta é uma espécie estival em Portugal e, por isso, o indivíduo libertado seguiu certamente na sua rota migratória para Sul. 

Devolução à natureza de um noitibó-de-nuca-vermelha, na passada terça-feira.

Outras três aves foram devolvidas à natureza, pertencentes a três espécies distintas. Uma rola-turca e uma garça-boieira foram recebidas enquanto crias e agora libertadas, uma vez concluído o seu desenvolvimento. A outra ave foi um guincho-comum que esteve quase um mês ingressado devido a síndrome parético, tendo beneficiado de fluídos e de papas nutritivas durante a sua recuperação.

Garça-boieira libertada junto ao moinho de maré da Quinta de Marim.
O trabalho de recuperação tem um impacto imediato no bem-estar e sobrevivência de cada animal que passa pelo RIAS e, no caso das aves migradoras estivais, é importante que a sua recuperação seja breve de modo a que prossigam a sua viagem de imediato. Caso não consigam recuperar a tempo, estas aves são mantidas no RIAS pelo menos até ao regresso primaveril dos indivíduos da sua espécie.

O último mês da Catarina

O seu nome é Ana Catarina Sá Alves, mas prefere que a chamem apenas Catarina. É finalista do curso de Veterinária na Universidade de Évora e aguarda apenas data para defender a sua tese intitulada "Vírus da bursite infeciosa: desenvolvimento de testes serológicos e moleculares de diagnóstico". É natural de Vila Nova de Famalicão, mas mudou-se para o Algarve aquando da redacção da sua tese, de modo a conseguir conciliar duas das suas maiores paixões: o bodyboard e o surf, e os animais. 

Realizando as tarefas diárias do RIAS com agilidade e boa disposição.

Escolheu o RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens para pôr em prática alguns dos conhecimentos adquiridos durante o curso e aprender a sua aplicação em animais selvagens. Porém, sempre que pode enfia as pranchas no carro e vai até à Costa Vicentina apanhar algumas das melhores ondas da Europa!

Apoiando o trabalho na clínica durante uma cirurgia.
É a nossa principal voluntária desde Maio, mas no final de Outubro ruma a Lisboa para iniciar-se no INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária numa investigação aplicada que a conduzirá em Fevereiro até à Universidade de Utrecht, na Holanda. Obrigado Catarina pelo teu apoio fiel, excelente motivação (mesmo naquelas tarefas mais rotineiras), e desejamos-te o melhor sucesso futuro!


Muitos animais ingressados, algumas aves libertadas

Na semana passada, o número de animais que ingressaram no RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens excedeu novamente o número de animais libertados. Logo no Domingo, enquanto em Sagres um peneireiro-vulgar era devolvido à natureza durante o Festival de Observação de Aves e Actividades de Natureza, na Quinta de Marim cinco animais doentes ou feridos davam entrada nas instalações do RIAS. Ao longo da semana, foram admitidos 63 animais no RIAS, na sua maioria aves mas também quatro mamíferos. Embora 12 destes animais nos tivessem sido entregues sem vida, estes casos são importantes para que no RIAS sejam investigados os factores de risco para a conservação das populações selvagens destas espécies.

Cria de ouriço-cacheiro que ingressou no RIAS no dia 7 de Outubro.


A captura e abate ou cativeiro ilegal constitui uma grave ameaça à conservação de muitos aves, nomeadamente passeriformes. A lei institui a aplicação de coimas para estes casos, e caso tenha conhecimento de alguma situação deve denunciar a ocorrência ao Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA/GNR). As situações em que a lei é aplicada são ainda uma minoria face à realidade nacional e, muitas vezes, quem captura aves continua a fazê-lo pensando que as suas acções ficarão impunes. Em consequência de uma apreensão realizada pelo SEPNA/GNR de Tavira a um particularna sexta-feira foram-nos entregues 17 aves engaioladas. Estas incluíam seis espécies de fringilídeos da avifauna selvagem de Portugal! Alguns pintassilgos, verdilhões, e um pintarroxo foram libertados imediatamente após o diagnóstico clínico, contudo duas milheirinhas, um tentilhão, um lugre, um pintarroxo e alguns pintassilgos e verdilhões permanecem em recuperação no RIAS, uma vez que as suas penas de vôo se apresentavam danificadas.

 Devolução à natureza de algumas aves apreendidas pelo SEPNA/GNR de Tavira.

Várias aves em recuperação no RIAS foram também devolvidas à natureza durante a última semana. Na terça-feira foi realizada a libertação conjunta de três gaivotas-de-patas-amarelas e duas gaivotas-d’asa escura, que ingressaram no RIAS neste final do verão e início de outono. No mesmo dia, um pato-trombeteiro que esteve em recuperação no RIAS durante cerca de um mês e meio, pôde voar para junto de outros patos, incluindo vários conspecíficos que invernam na lagoa da Quinta de Marim.

Devolução à natureza de um pato-trombeteiro junto à lagoa da Quinta de Marim.


Também uma cria de andorinhão-pálido que nos foi entregue após queda do ninho e foi alimentada quase incessantemente durante 15 dias, oferecendo-lhe larvas de insectos numa pinça, foi libertada e na quarta-feira pôde iniciar uma nova grande aventura... a sua primeira migração!

Devolução à natureza de uma cria de andorinhão pálido que esteve 15 em recuperação no RIAS.






"Alojamento local para aves" entre os vencedores do OPP em 2018!

O projecto "Alojamento local para aves" do RIAS foi um dos vencedores do Orçamento Participativo Portugal (OPP) deste ano! O nosso projecto foi um dos 22 mais votados dentre os 691 projectos da 2ª edição do OPP, na qual se registaram aproximadamente 120 000 votos.


Um grande bem-haja ao Diogo pela disponibilidade em estar presente na cerimónia de entrega dos prémios, e um enorme OBRIGADO a todas as pessoas que votaram para que as aves tenham um lugar mais próximo no nosso quotidiano!

O RIAS esteve no Festival de Observação de Aves & Actividades de Natureza

Em 2010, o RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens recebeu um convite para dinamizar actividades num evento que pretendia reunir centenas de pessoas na península de Sagres sob a temática da observação de aves. Embora houvesse menos de um ano desde que a gestão do centro de recuperação da Ria Formosa pertencia à associação ALDEIA, a organização do evento reconhecera desde logo o mérito do RIAS e a vantagem desta colaboração para o sucesso do evento. E o sucesso foi imenso! O Festival de Observação de Aves e Actividades de Natureza conta agora com nove edições, envolvendo inúmeras entidades, sempre com a organização partilhada entre as associações Almargem - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, e tendo como promotor a Câmara Municipal de Vila do Bispo.

Neste ano, os aficionados da observação de aves e de bons momentos de convívio em contacto com a natureza tiveram de reservar quatro dias da sua agenda, pois o festival iniciou em 4 de outubro e só terminou no dia 7. O RIAS animou actividades em todos os dias do festival, envolvendo dezenas de adultos e crianças de várias nacionalidades.

Para começar a manhã do primeiro dia de festival, levámos um grupo de 15 pessoas num passeio de observação de aves para que conhecessem melhor as aves da península de Sagres. Foram observadas várias espécies típicas desta região como a gralha-de-bico-vermelho, a cotovia-montesina, a cagarra, a galheta, entre tantas outras. Durante a tarde, ensinámos aos mais pequenos (e não só) que em Portugal existem duas espécies de cegonha, enquanto se divertiam a elaborar as suas próprias máscaras de cegonha. Ainda nesse dia, mas já de noite dados os requisitos da actividade, cerca de oitenta festivaleiros viram três mochos-galegos recuperados no nosso centro serem devolvidos à natureza.

O segundo dia contou com uma actividade exclusiva para adultos: um workshop de primeiros-socorros para aves. Ao longo de três horas, oito participantes bastante entusiastas atenderam aos métods adequados de captura e manuseamento de aves e, numa parte mais prática, aprenderam a fazer ligaduras e a administrar fluídos de forma a hidratar animais feridos antes do transporte para o centro de recuperação.







O terceiro dia de festival foi no sábado, um dia desde cedo mais participado, pois na repetição da saída para observação de aves foi necessário estender o número de participantes. O passeio previsto foi então efectuado com um grupo maior, de vinte pessoas, contudo as aves não se afastaram e conseguiram-se excelentes observações de algumas espécies migradoras como a cegonha-preta, o britango, águia-calçada, bútio-vespeiro, e também várias espécies de passeriformes, com destaque para o cartaxo-nortenho.


No último dia de festival, e como já é habitual, devolvemos à natureza uma ave recuperada pelo RIAS. Esta é, certamente, uma das actividades mais populares do evento e em cada ano verificamos um número maior de participantes! Desta vez estiveram reunidas mais de uma centena de pessoas que puderam ver de perto um peneireiro-vulgar e aprender sobre a sua biologia. A devolução à natureza foi realizada por membros da Associação Clube Xzen, a quem aproveitamos para agradecer os dias de voluntariado que realizaram este ano no RIAS.



Para muitos festivaleiros, estas actividades proporcionaram-lhes uma oportunidade excepcional para aprender mais sobre a biologia e ecologia das aves, enquanto nas devoluções puderam mesmo ver de perto aves de rapina que dificilmente se deixam observar. Foram momentos que certamente ficarão na memória de todos os presentes... pelo menos até à próxima edição!

O RIAS aproveita para congratular a organização deste festival por mais uma excelente edição e deseja o maior sucesso para o próximo ano!

Gaivotas há muitas, mas todas diferentes!


Ao longo do litoral português, existem duas espécies de gaivotas grandes que são comuns durante todo o ano: a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e a gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus), sendo a última mais abundante no período de Inverno. À semelhança de outras espécies de gaivotas de grande dimensão, estas gaivotas adquirem a plumagem de adulto somente após três anos de idade. Os imaturos de 1º ano são castanhos e de difícil distinção entre as duas espécies, contudo, de um modo geral, a plumagem dos imaturos de gaivota-de-patas-amarelas assume tons mais claros que aquela de gaivota-d'asa-escura. Nos indivíduos de 2º e 3º ano é já visível a coloração do dorso, que assume tons prateados na gaivota-de-patas-amarelas enquanto na gaivota-d'asa-escura é de um cinzento-escuro. Esta é a característica que melhor permite distinguir os adultos das duas espécies, quando estes exibem a plumagem típica de gaivota com cabeça e peito brancos, patas e bico amarelos.

Gaivota-de-patas-amarelas de 3º ano em recuperação no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens. As abraçadeiras coloridas nas patas representam um código de identificação que permite distinguir com maior brevidade os vários indivíduos internados. 

No RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens existem sempre em recuperação indivíduos de alguma destas duas espécies de gaivota, habitualmente provenientes da costa algarvia. Por isso, está implementado desde 2011 um programa de acompanhamento de gaivotas-de-patas-amarelas e de gaivotas-d'asa-escura recuperadas no RIAS, através de anilhas coloridas com código alfanumérico. Actualmente, o número de gaivotas libertadas com esta marcação ascende a 1500, e quase diariamente são-nos enviados registos da observação de alguma destes indivíduos.












Colocação de anilha plástica colorida com código alfanumérico numa gaivota-d'asa-escura imatura de 1º ano, momentos antes da sua devolução à natureza.

Na passada quarta-feira, foram devolvidas à natureza quinze gaivotas (nove gaivotas-de-patas-amarelas e seis gaivotas-d'asa-escura), incluindo juvenis, imaturos e adultos que ingressaram no RIAS por motivo de doença ou trauma, mas também devido a acidentes com artefactos de pesca (redes, fios ou anzóis). Na sua maioria, estas gaivotas foram-nos entregues durante o último verão, porém uma das gaivotas-de-patas-amarelas encontrava-se connosco desde 11 de julho de 2017, data em que foi internada com uma fractura no metacarpo esquerdo e desprovida de várias penas primárias na asa direita. Foi necessário mais de um ano para que a fractura curasse e novas penas lhe crescessem na asa.

Várias pessoas assistiram e ajudaram na libertação em conjunto destas gaivotas, em frente ao RIAS. Veja o vídeo desta devolução à natureza!








Devolução à Natureza de um noitibó-de-nuca-vermelha

2 de Outubro de 2018 / 2nd October 2018
Quinta de Marim, Olhão


Espécie (species): Noitibó-de-nuca-vermelha (Red-necked nightjar) Caprimulgus ruficollis
Proveniência (origin): Vila Real de Santo António
Dias em recuperação (days in recovery): Captura acidental (accidental catch)

Bem-vindas, Ana e Sarah! / Welcome, Ana and Sarah!

Integraram a equipa do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens em Setembro e vão estar connosco, ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu, até Agosto do próximo ano. A Sarah é alemã, a Ana é romena, e ambas estão muito animadas com esta oportunidade!

They incorporated the RIAS - Wildlife Rehabilitation and Research Centre team in September and will stay with us, under the European Voluntary Service, until August 2019. Sarah is german, Ana is romanian, and both are very enthusiastic with this oportunity! 



ANA GHEORGHIU

Nasci na Roménia e vivi parte da minha vida no Canadá. Lá, vi animais selvagens incríveis como grandes aves de rapina, ursos, lobos e baleias. Na Universidade de British Columbia estudei Conservação, trabalhei com tartarugas marinhas no Panamá, e com aves de rapina na Grécia. Decidi candidatar-me para trabalhar no RIAS porque adoro trabalhar com animais, e nada me faz mais feliz do que vê-los libertados de volta à vida selvagem.

I was born in Romania, and have lived part of my life in Canada. There, I saw incredible wildlife, such as birds of prey, bears, wolves and whales. I studied Conservation at the University of British Columbia, and afterwards worked with sea turtles in Panama and with birds of prey in Greece. I became involved with RIAS because I love working with animals, and nothing makes me happier than seeing them released back into the wild. 


SARAH KIRCHMANN

Tenho 23 anos e venho da Alemanha. Desde criança que adoro animais e sempre pensei em trabalhar com eles no futuro. Após a escola primária, ingressei numa escola especializada em biologia e o meu interesse em trabalhar com animais aumentou imenso. Tive conhecimento do projecto do RIAS na página do Serviço de Voluntariado Europeu e imediatamente soube que tinha de concorrer! Estou muito contente desde que cheguei porque este é o género de trabalho que sempre quis realizar! Ajudar animais é uma oportunidade única de agradecer à Natureza e a cada libertação de aves tem sido uma linda experiência.

I am 23 years old and come from Germany. I love animals since I was a child and I wanted to work with them in my future. After primary school, I have been on a school specialized in biology and I got more and more interested in working with animals. I saw the RIAS project on the website of the European Solidarity Corps and I knew I had to go there! Since I am here, I am very happy because it is the kind of work I always wanted to do! Helping animals is a good thing to give something back to nature and every releasing of a bird is a beautiful experience.

9º aniversário do RIAS - Devolução à Natureza de um mocho-galego e quatro guinchos-comuns

Ontem, o RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens comemorou nove anos de existência! Desde que abriu portas em 1 de Outubro de 2009 acolheu quase 11 000 animais, na sua maioria aves, que conseguiram recuperar com sucesso e ser devolvidos à Natureza. Actualmente, o número de animais recebidos é duas vezes superior àquele dos primeiros anos de funcionamento, o que sublinha a importância das nossas campanhas de informação, divulgação e educação ambiental.





Para assinalar a data, e ajudar à celebração da efeméride, procedeu-se à devolução à Natureza de um mocho-galego que nos foi entregue após queda do ninho esteve em recuperação no RIAS durante 28 dias. Com um enorme aplauso, bebés, crianças, jovens e adultos de várias nacionalidades encorajaram o regresso desta ave à Natureza!

Em seguida, todos fomos em passeio até ao moinho de maré da Quinta de Marim para libertar quatro guincho-comuns que estiveram cerca de duas semanas em recuperação no RIAS.

Sem dúvida, foi um agradável culminar de dia de aniversário que ilustrou bem os objectivos do nosso dia-a-dia de trabalho, inalterado em nove anos de actividade... SALVAR ANIMAIS SELVAGENS.

Devolução à Natureza de um andorinhão-pálido

29 de Setembro de 2018 / 29th September 2018
Quinta de Marim, Olhão



Espécie (species): Andorinhão-pálido (Pallid Swift) Apus pallidus
Proveniência (origin): Faro
Dias em recuperação (days in recovery): 15

Devolução à Natureza de dois mochos-galegos

28 de Setembro de 2018 / 28th September 2018
Quinta de Marim, Olhão


Espécie (species): Mocho-galego (Little owl) Athene noctua
Proveniência (origin): Portimão
Dias em recuperação (days in recovery): 138




Espécie (species): Mocho-galego (Little owl) Athene noctua
Proveniência (origin): Pechão, Olhão
Dias em recuperação (days in recovery): 96