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A mostrar mensagens de 2018

Será o inverno altura de relaxar?

Se perguntarmos a qualquer técnico de um centro de recuperação qual é a melhor altura do ano para se trabalhar a resposta é unânime: no Inverno! Como já referimos aqui, no inverno o número de animais em recuperação diminui, mas isso não significa que podemos relaxar!! Esta é a altura em que nos dedicamos ao trabalho de computador, aos arranjos e limpezas de instalações, e à formação mais intensiva dos nossos técnicos e voluntários.

Esta semana apesar de só terem entrado 11 animais no RIAS, foi uma semana atribulada devido às particularidades das espécies recebidas. Entre crias de ouriços-cacheiro, um grifo, um morcego e algumas gaivotas, o maior destaque foi para um papagaio-do-mar! 


Apesar de nidificarem no Atlântico Norte, os papagaios-do-mar passam o inverno mais a sul, altura em que é possível observá-los na costa portuguesa. Esta curiosa ave foi encontrada na ilha do Farol, possivelmente após ter colidido com alguma estrutura, pois apresentava sangue no bico. Por ser uma espécie pouco comum no RIAS, tivemos estudar bastante sobre a sua alimentação e hábitos e foi necessário também adaptar uma instalação. 

Papagaio-do-mar no segundo dia de internamento no RIAS

Esta semana foi também preenchida com a devolução à natureza de 5 animais recuperados.
Começamos na terça-feira, dia 4, com a devolução à natureza de uma gaivota-de-patas-amarelas e um pequeno camaleão, que foram libertados por quem os encontrou.



Na quinta-feira demos as boas vindas à nossa mais recente voluntária, a alemã Carla, que teve o privilégio de libertar um tentilhão. 

Welcome Carla!!

Na sexta-feira participamos ainda na tertúlia "O mar, o plástico e nós... sinais de uma sociedade do desperdício" coordenada pela Associação In Loco e que decorreu em São Brás de Alportel, após a exibição do filme "Albatroz". 






Para acabar a semana da melhor forma possível, tivemos a presença de 37 pessoas no Sábado Livre! 


Para além da visita ao centro de interpretação ambiental do RIAS, os participantes assistiram à devolução à natureza de um guincho-comum e de um ouriço-cacheiro. 





O aniversariante Gui teve o privilégio de libertar o guincho!



 O ouriço-cacheiro foi libertado pelo Fernando que adorou a experiência!

O inverno está a chegar: diminuem os ingressos de animais no RIAS

O número de ingressos no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens tem vindo a diminuir progressivamente, como é caraterístico com a aproximação do inverno. Na semana passada, foram admitidos 17 animais no centro sendo que dois deles foram já recolhidos sem vida. Um destes animais foi uma gineta (Genetta genetta), recolhida em Santa Catarina de Fonte do Bispo, vitimada por atropelamento. Este mamífero carnívoro de médio porte é relativamente comum no Sul de Portugal, contudo tem hábitos noturnos e movimenta-se com um discrição exímia que dificulta a sua observação.

Gineta em recuperação no CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (fotografia de Artur Oliveira)

Mais uma vez predominaram as aves entre os animais admitidos, mas existiram também três mamíferos, incluindo dois ouriços-cacheiros (Erinaceus europaeus) que se juntaram aos seis que se encontravam previamente em recuperação. 


No SÁBADO LIVRE foram batidos todos os recordes: 20 animais devolvidos à natureza e 28 participantes! Entre os números da semana passada fica também o registo pouco habitual de uma semana em que o número de animais devolvidos à natureza excedeu aquele dos animais ingressados!

Dia Internacional do Voluntário

Com o objetivo de valorizar e incentivar o serviço voluntário, celebra-se hoje o Dia Internacional do Voluntário!

No RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, os voluntários desempenham um papel indispensável sem os quais o funcionamento do centro estaria comprometido. Eles são responsáveis pela preparação e distribuição de alimentação, manutenção e limpeza das instalações, auxiliar o diretor clínico nos tratamentos diários, e receber visitantes no espaço interpretativo do RIAS, entre outras tarefas. Desde 2009, o RIAS contou com o apoio de mais de 200 voluntários!

A todos os voluntários que emprestaram as suas mãos ao RIAS e àqueles, mais concretamente àquelas, que atualmente auxiliam os trabalhos diários do centro, dedicamos este filme didático sobre o trabalho no RIAS, realizado pela Suzan Kekeç que em 2016 fez voluntariado no RIAS.


Caso esteja também interessado em fazer voluntariado connosco, espreite as nossas condições, e contate-nos se quiser saber mais informações!

Campanha de Apadrinhamento de Natal 2018



Todos os anos o CERVAS (Gouveia) e o RIAS (Olhão) fazem uma campanha de Natal conjunta, que pretende ser um meio de angariação de fundos para a manutenção e gestão dos dois centros de recuperação de fauna selvagem, geridos pela Associação ALDEIA.

Ao oferecer um apadrinhamento estará a contribuir simbolicamente para o trabalho dos dois centros e quem o receber terá um presente original e solidário que proporciona a possibilidade de assistir à devolução à Natureza do animal apadrinhado (se tal for possível no final do processo de recuperação). 

Torne-se num membro activo na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal, ajude-nos! E ofereça neste Natal um presente original!




Existem 3 modalidades de apadrinhamento:

Apadrinhamento Digital - 15€
Inclui:
- Certificado de apadrinhamento em formato digital;
- Possibilidade de assistir à devolução à natureza do animal apadrinhado;
- Possibilidade de solicitar informações e fotografias do animal;
- Inserção do seu email na lista de divulgação do RIAS/CERVAS para que possa receber informações sobre as próximas actividades em que pode participar.

Apadrinhamento Standard- 25€ 
Inclui:
- Certificado de apadrinhamento impresso;
- Boletim informativo sobre a espécie apadrinhada;
- Possibilidade de assistir à devolução à natureza do animal apadrinhado;
- Possibilidade de solicitar informações e fotografias do animal;
- Possibilidade de visitar o RIAS/CERVAS  (convite para visita guiada de 2 pessoas às instalações no Dia Aberto do RIAS/CERVAS);
- Inserção do seu email na lista de divulgação do RIAS/CERVAS para que possa receber informações sobre as próximas actividades em que pode participar.

Apadrinhamento Kit Oferta- 35€
Inclui:
- Certificado de apadrinhamento impresso;
- Boletim informativo sobre a espécie apadrinhada;
- Possibilidade de assistir à devolução à natureza do animal apadrinhado;
- Possibilidade de solicitar informações e fotografias do animal;
- Possibilidade de visitar o RIAS/CERVAS (convite para visita guiada de 2 pessoas às instalações no Dia Aberto do RIAS/CERVAS);
- 2 Brindes do RIAS/CERVAS;
- Inserção do seu email na lista de divulgação do RIAS/CERVAS para que possa receber informações sobre as próximas actividades em que pode participar.


Colabore com o CERVAS e com o RIAS participando nesta campanha ou contribuindo para a sua divulgação, encaminhando esta informação!

Contactos :
E-mail: rias.aldeia@gmail.com
Tel: 927659313
Morada: Rua do Parque Natural da Ria Formosa, Quelfes. 8700-194 Olhão

Modos de pagamento:

CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA, para a morada em cima mencionada.

TRANSFERÊNCIA*IBAN: PT50.0035.0555.00048770830.28 (Caixa Geral de Depósitos de Olhão, em nome de Acção, Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente)

* Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada, ou por correio electrónico para rias.aldeia@gmail.com


SÁBADO LIVRE | Devolução à natureza de vinte animais!

No passado SÁBADO LIVRE, as portas do espaço interpretativo do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens abriram com 10 minutos de atraso. Embora tivesse sido anunciada a libertação de um coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), seis gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e quatro gaivotas-d'asa-ecura (Larus fuscus), haviam outras nove gaivotas prontas para serem devolvidas à natureza. Para que encurtar o tempo que estes animais iriam permanecer nas caixas transportadoras até à sua libertação, a captura destes vinte animais decorreu apenas momentos antes de abrir as portas de mais um SÁBADO LIVRE... e daí o atraso!
Nunca um SÁBADO LIVRE contou com tantos animais para serem devolvidos à natureza. No entanto, este novo recorde foi acompanhado também por um recorde no número de participantes, tendo o momento da libertação sido presenciado por 28 pessoas! Alguns participantes provinham já da saída para observação de aves limícolas que o RIAS guiou, com o apoio da Câmara Municipal de Olhão, um par de horas mais cedo na Quinta Marim.

Durante a saída de observação de aves limícolas os seis participantes observaram mais de 40 espécies.

As limícolas são um grande grupo de aves que têm adaptações especiais para se alimentarem junto de água, como pernas mais altas e bicos mais compridos para poderem capturar invertebrados que se enterram na areia ou na lama. A grande maioria das limícolas são migradores de grandes distâncias e, dadas as variações subtis de tamanho e plumagens entre espécies, a sua identificação é muitas vezes um desafio! A lista de espécies observadas durante a saída superou as quatro dezenas, sendo que nem todas foram limícolas e até foi possível observar algumas aves de rapina.

Libertação do coelho-bravo pelo seu padrinho.

O coelho-bravo foi-nos entregue em outubro afetado por mixomatose, uma doença vírica que frequentemente conduz à morte de coelhos, mas os cuidados prestados (medicação e alimentação) permitiram a sua rápida recuperação. A sua libertação foi presenciada tanto pela pessoa que o recolheu em Portimão como pelo seu padrinho, tendo ambos contribuído diretamente para o sucesso da reabilitação deste mamífero. 

Dez gaivotas-d'asa-escura e nove gaivotas-de-patas-amarelas foram libertadas em frente ao RIAS no sábado.

As dezanove gaivotas devolvidas à natureza correspondiam a dez gaivotas-d'asa-escura e nove gaivotas-de-patas-amarelas e, na sua maioria, haviam ingressado por motivo de síndrome parético. Cada uma foi marcada com uma anilha colorida na pata esquerda, onde consta um código alfanumérico bem visível que irá contribuir para um maior conhecimento acerca do destino destas gaivotas após a devolução à natureza. Apenas necessitamos que nos cheguem registos dos códigos presentes nestas anilhas sempre que fôr observada uma gaivota anilhada. Contamos consigo para esta tarefa!

RIAS Clipping | Novembro 2018


Algarve Primeiro, 28 de Novembro de 2018

A Voz do Algarve, 27 de Novembro de 2018

Região Sul, 26 de Novembro de 2018

Região Sul, 26 de Novembro de 2018

Município de Olhão, 26 de Novembro de 2018

Sul Informação, 23 de Novembro de 2018

National Geographic, 19 de Novembro de 2018


Se tiver conhecimento de outras ocorrências do RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens na comunicação social, por favor informe-nos para rias.aldeia@gmail.com.

Nasceram dois ouriços-cacheiros no RIAS!

No dia 19 de novembro, recebemos no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens uma fêmea de ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), trazida desde Tavira por um particular após ter sido atacada por um cão. Embora não apresentasse lesões graves, e tivesse até um peso acima da média para esta espécie (952g), prestaram-se-lhe alguns cuidados básicos e o animal foi acomodado numa câmara de recuperação com alimento adequado em abundância. Ao atribuir a alimentação na manhã do quinto dia em recuperação, qual não foi o nosso espanto, constatando que o peso exagerado correspondia a uma gravidez... havia dado à luz duas lindas crias!

Crias de ouriço-cacheiro recém-nascidas.

Não há ninguém em Portugal que não conheça o ouriço-cacheiro, mas o que muitos não sabem é que este mamífero é o maior dos insetívoros da fauna portuguesa, alimentando-se sobretudo de invertebrados junto ao solo. A espécie ocupa todo o território português, ocorrendo tanto em florestas e pastagens, como em jardins. É uma espécie essencialmente solitária e territorial, com hábitos noturnos, e, numa única noite, pode percorrer mais de 3km!


Têm o dorso coberto por cerca de seis mil espinhos longos e aguçados, cujo desenvolvimento se inicia poucos dias após o nascimento (como é possível constatar neste curto vídeo, filmado quando as crias tinham apenas quatro dias!). Este é um método de defesa que lhes permite, quando ameaçados, enrolar o corpo, não deixando espaço para que o predador aceda a zonas do corpo desprovidas de espinhos.

Na manipulação de ouriços-cacheiros recomenda-se o uso de luvas. 

A época de reprodução tem início na primavera, uma vez findo o período de hibernação, e as fêmeas têm habitualmente uma ninhada de 2 a 8 crias em setembro. A maturação sexual é atingida com um ano de idade e a espécie tem uma longevidade média de 3 anos, mas podem viver até aos 10 anos de idade.

Muitos ouriços-cacheiros que ingressam no RIAS são órfãos.

Neste momento, temos seis ouriços-cacheiros em recuperação no RIAS, e todos aguardam apadrinhamento. Apoie a recuperação destes animais com o seu apadrinhamento e torne-se um membro ativo na conservação desta espécie!

Uma semana preenchida com atividades de sensibilização ambiental

Em conjunto com a reabilitação de animais selvagens e a investigação dos fatores de risco para a sua conservação, a sensibilização ambiental da sociedade é um dos principais objetivos do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens. A semana passada foi preenchida com atividades de sensibilização ambiental, ilustrou bem o trabalho que é desenvolvido pelo RIAS neste último tópico. 
Na quarta-feira, durante a Mostra de Boas Práticas de Voluntariado Jovem que decorreu em Faro, no auditório do Instituto Português do Desporto e da Juventude, foi dada voz aos depoimentos dos voluntários que passaram pelo RIAS neste último ano no âmbito do Programa de Voluntariado Jovem para a Natureza e Florestas.

Os voluntários do RIAS relataram as suas experiências na Mostra de Boas Práticas de Voluntariado Jovem.

Na quinta-feira, o espaço interpretativo do RIAS recebeu a visita de vinte alunos da turma do 5ºD da EB2,3 Prof. Paula Nogueira de Olhão, onde lhes foi dado a conhecer o funcionamento de um centro de recuperação de animais selvagens, e também algumas curiosidades acerca da biologia de várias espécies da nossa fauna selvagem.

Alunos do 5ºD da EB2,3 Prof. Paula Nogueira explorando os conteúdos do centro de interpretação ambiental do RIAS.

Na sexta-feira, o centro de interpretação ambiental recebeu nova visita escolar. A pedido da diretora da turma do 5ºB da Escola D. Manuel I de Tavira, desenvolvemos uma atividade interativa com os 24 alunos da turma, subjugada ao tema "Quem protege os animais selvagens no sotavento algarvio?". Em simultâneo, mas em outro local, no circuito dos Pinheiros de Marim, explicámos aos alunos do 2º ano da EB1/JI n.º6 de Olhão a importância da floresta autóctone enquanto novas árvores eram plantadas pelas suas próprias mãos.

Alunos do 5ºB da Escola D. Manuel I de Tavira durante a atividade "Quem protege os animais selvagens no sotavento algarvio?"

No sábado, foram professores os nossos alunos, na formação "A Ria Formosa como sala de aula teórico-prática" organizada pela Ordem dos Biólogos na Quinta de Marim. Durante a saída de campo inserida nesta formação, estes professores de Biologia puderam estrear-se na observação de várias espécies de aves.

Participantes na formação "A Ria Formosa como sala de aula teórico-prática" observando alcaravões (Burhinus oedicnemus) na Quinta de Marim.

Por outro lado, as atividades de reabilitação de animais no nosso centro não pararam. Um tordo-comum (Turdus philomelos), que esteve em recuperação no último mês, foi devolvido à natureza durante o SÁBADO LIVRE, e ingressaram 13 animais, entre os quais dois cágados-mediterrânicos (Mauremys leprosa) e um ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus).

Ouriço-cacheiro em recuperação no RIAS após ter sido predado por animais domésticos.

Estes novos animais somam-se à lista de animais em recuperação que aguardam apadrinhamento. Apoie o nosso trabalho através do apadrinhamento de um animal selvagem e torne-se um membro ativo na conservação da natureza em Portugal!

SÁBADO LIVRE | Devolução à natureza de um tordo-comum

No início de outubro notou-se a chegada das primeiras aves de espécies invernantes em Portugal. São aves que têm as suas áreas de reprodução em latitudes mais a norte, que lhes proporcionam as condições ideais de alimentação e nidificação durante a primavera e verão mas cujas circunstâncias no inverno não permitiriam a sua sobrevivência ali. Por isso, uma vez terminado o período reprodutor, adultos e juvenis vêm-se forçados a realizar viagens de milhares de quilómetros até zonas de invernada que lhes oferecem melhores probabilidades de sobrevivência durante a estação fria, ainda que contabilizando os riscos da viagem.
Foi no final do mês de outubro que ingressaram as primeiras aves invernantes no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de animais Selvagens, entre as quais um tordo-comum (Turdus philomelos) que apresentava um trauma na asa esquerda. À semelhança do tratamento que é aplicado em humanos, a sua asa foi imobilizada de modo a que pudesse recuperar rápido a sua capacidade de voo. A ave realizou uma recuperação surpreendente e, em menos de três semanas, estava pronta para ser devolvida à natureza.

Anilha metálica colocada na pata direita da ave antes da devolução à natureza.  

Como é habitual, o regresso à natureza deste tordo-comum partiu da mão de uma criança. Na explicação prévia à libertação, os participantes neste Sábado Livre foram sensibilizados para as baixas probabilidades de sobrevivência desta espécie, uma vez que às inclemências climatéricas se somam as ameaças derivadas de atividades humanas, entre as quais a caça. Novembro e Dezembro são meses de forte atividade venatória, em que se encontra aberta a caça a praticamente todas as espécies cinegéticas, incluindo o tordo-comum.

Devolução à natureza do tordo-comum em frente ao RIAS.

Neste contexto, aproveitámos para explicar o risco que as munições de chumbo na caça impõe tanto à saúde humana, como aos ecossistemas. Em setembro foi mesmo publicado um relatório pela Agência Europeia de Químicos (ECHA) que suporta uma futura atuação da comissão europeia no sentido de exigir aos estados membros medidas de proibição do uso de chumbo na caça. Embora o uso ou detenção de cartuchos carregados com projéteis de chumbo seja já proibido nas zonas húmidas, estima-se que aproximadamente 14.000 toneladas de munições de chumbo sejam espalhadas em meios terrestres na União Europeia, responsáveis pelo envenenamento anual de mais de 1 milhão de aves e cuja persistência no solo causa uma séria contaminação das reservas de água, pondo em risco todo o ecossistema e a saúde pública. Estes valores são preocupantes para um metal que pode causar problemas neurológicos e, em simultâneo com a reabilitação de animais, este é um dos objetivos principais do RIAS: a sensibilização ambiental da população, confiantes que os erros do passado serão um importante contributo para uma humanidade melhor.

Celebre o Dia Internacional da Floresta Autóctone!

No dia 21 de março celebra-se o Dia Mundial da Árvore. Esta efeméride nasceu no século XIX da pena do jornalista e político Julius Morton, de modo a incentivar a plantação ordenada de árvores no estado do Nebraska, nos Estados Unidos da América. Atualmente, a data serve sobretudo para sensibilizar da população para a importância da preservação da floresta e, em 2012, foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Dia Internacional das Florestas. Neste dia, habitantes de todas as partes do mundo são encorajadas a plantar árvores e participar em ações de arborização e reflorestação, contudo aqueles de nós que acompanharam plantações realizadas nessa data, constataram que no clima mediterrânico as plantas têm uma reduzida taxa de sobrevivência em consequência da redução das chuvas e aumento das temperaturas que se verifica com a aproximação do verão. Por este motivo, em Portugal e Espanha criou-se o Dia Internacional da Floresta Autóctone no dia 23 de novembro para simultaneamente divulgar a importância das espécies autóctones na conservação da floresta, enquanto se procede à sementeira ou plantação de árvores em condições climatéricas mais adequadas à sua sobrevivência.

Alunos do 2º ano da EB1/JI n.º6 de Olhão envergando a camisola oferecida pelo município.

Assim, hoje de manhã, os elementos do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens acompanharam a plantação de árvores autóctones pelos alunos do 2º ano da EB1/JI n.º6 de Olhão, numa atividade organizada pela Câmara Municipal de Olhão, com o apoio da Junta de Freguesia de Quelfes, no parque dos Pinheiros de Marim. Este parque é composto por um extenso pinhal que enquadra vários exemplos da flora autóctone, tanto arbórea como arbustiva, à qual se juntaram mais alguns exemplares de medronheiro (Arbutus unedo), azinheira (Quercus rotundifolia) e alfarrobeira (Ceratonia siliqua) cedidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Plantação de um medronheiro por duas crianças.

Faça também a diferença e aproveite este fim de semana para semear ou plantar uma árvore autóctone. Dê um passeio na natureza, enterre bolotas e outras sementes autóctones diretamente no campo, ou recolha algumas para germinar em casa e plantar depois num terreno próximo, para que a floresta portuguesa progressivamente assuma um maior papel na salvaguarda da nossa biodiversidade!

O RIAS e a ciência de seguimento de aves

Todas as aves libertadas pelo RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens são marcadas com anilhas metálicas fornecidas pela Central Nacional de Anilhagem (ICNF) para que, no caso destas serem recapturadas, ser obtida informação acerca do destino destes indivíduos após a recuperação. No entanto, não é raro ingressarem no RIAS aves que já se encontravam anilhadas e, nos últimos cinco anos, foram recebidas, em média, 20 aves anilhadas por ano. Através do código contido na anilha é possível conhecer informação relativa à anilhagem e, embora grande parte desses indivíduos fossem provenientes de outros locais da Península Ibérica, já nos chegaram aves anilhadas em países tão distantes como a Noruega e a Islândia!

Cada vez, são utilizados aparelhos de seguimento mais complexos para seguimento de aves e, entre os 27 animais admitidos no RIAS na semana passada, constou uma gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) que transportava um GSM data logger. Este é um aparelho eletrónico que permite a recolha de vários sinais que podem ser analisados num computador após a recolha do aparelho. O aparelho foi por isso recolhido e devolvido ao grupo de investigação em Sistemas Costeiros e Oceano do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, responsáveis pela sua colocação na gaivota, no verão de 2017, na ilha da Barreta.

Gaivota-de-patas-amarelas com GSM data logger acoplado ao dorso.

Mas os casos mais recentes não se encerram na última semana. Já na primeira semana de novembro, foi-nos trazido um ganso-patola (Morus bassanus) juvenil, encontrado perto de Lagoa, que transportava um GPS data logger. Este aparelho, igualmente alimentado por painéis solares, mas mais sofisticado que o anterior, emite um sinal frequente com a posição do animal que pode ser analisado praticamente em tempo real no ecrã de um computador. O aparelho instalado por elementos da British Trust for Ornithology, foi-lhes devolvido para que o possam utilizar em outros indivíduos que venham a ser estudados no âmbito do programa de seguimento de aves que esta instituição leva a cabo no Reino Unido.

GPS data logger e anilha recolhidos no ganso-patola que, infelizmente, não sobreviveu ao internamento no RIAS. 

Segundo a informação fornecida, este ganso-patola foi anilhado em 5 de outubro no ilhéu Bass Rock, na Escócia, e, apenas trinta e um dias após ter sido anilhada, foi encontrado a 2154 km deste local. Infelizmente, esta espécie apresenta uma das taxas de sucesso de recuperação mais baixas entre aquelas que ingressam no RIAS, pois tratam-se normalmente de juvenis num estado de fadiga extremo, e a ave não sobreviveu ao internamento. Permanece, contudo, o seu contributo para a ciência, na esperança que um dia sejam encontradas soluções para as ameaças que estas aves enfrentam atualmente. 

SÁBADO LIVRE | Devolução à natureza de nove gaivotas-de-patas-amarelas e cinco gaivotas-d'asa-escura

Quem aceitou o convite do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens para a manhã de sábado, decerto se congratulou de poder iniciar o fim de semana tão perto da natureza!

Na saída matinal de observação de aves contaram-se mais de duas dezenas espécies observadas, incluindo várias cuja presença em Portugal se restringe à época de invernada. É o caso do pato-trombeteiro (Anas clypeata) que é um visitante habitual no Parque Natural da Ria Formosa durante o inverno. Desde o observatório instalado junto à lagoa de água-doce da Quinta de Marim foram observados, com discrição e conforto, vários machos e fêmeas de pato-trombeteiro sorvendo larvas de insetos e sementes da superfície da água através do seu bico especializado, enquanto nadavam entre outras aves aquáticas ali presentes, principalmente frisada (Anas strepera), pato-real (Anas platyrhynchos), arrabio (Anas acuta), piadeira (Anas penelope), galinha-d'água (Gallinula chloropus), e galeirão (Fulica atra).

O pato-trombeteiro tem um bico muito longo e largo em forma de colher.

Aos participantes no passeio interpretativo de observação de aves, organizado com o apoio da Câmara Municipal de Olhão, juntaram-se a meio da manhã várias outras pessoas que vinham para assistir ao SÁBADO LIVRE. Desta vez, tinha sido anunciada a devolução à natureza de gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e gaivotas-d'asa-escura (Larus fuscus), que estiveram durante os dois últimos meses em recuperação no RIAS. Porém, ninguém esperava que fossem tantas pois, no total das duas espécies, foi libertada mais de uma dúzia de gaivotas!

A libertação de gaivotas-de-patas-amarelas e gaivotas-d'asa-escura esteve a cargo dos mais pequenos.

Em jeito humorístico, mas repleto de verdade, este foi o SÁBADO LIVRE com maior afluência de animais... catorze sendo libertados e vinte e cinco a assistir!

Contamos consigo também no próximo sábado... LIVRE!

Uma nova espécie de mamífero em reabilitação no RIAS


Entre os vinte e dois animais admitidos no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens durante a primeira semana de novembro, um pertencia a uma espécie nunca registada nos nossos ingressos: o morcego-hortelão-escuro (Eptesicus serotinus).

Morcego-hortelão-escuro que sobreviveu à predação por um cão doméstico e se encontra em reabilitação.

Este  animal foi resgatado a tempo da boca de um cão doméstico, mas está incapacitado de voar devido a uma luxação grave no pulso da asa esquerda. Tendo em vista a sua reabilitação, está a ser tratado com antibiótico e anti-inflamatório ao mesmo tempo que é alimentado com larvas de insetos em abundância.



Em Portugal, os morcegos são principalmente insetívoros, podendo ingerir diariamente mais de metade do seu peso em insetos. Uma única colónia de morcegos chega a consumir anualmente meia tonelada de insetos, sendo por isso elementos-chave no equilíbrio dos ecossistemas. O morcego-hortelão-escuro é uma espécie de porte médio. As orelhas e as membranas alares são castanho escuras, o corpo mede cerca de 7cm e pesa entre 18 e 25g - o indivíduo em recuperação no RIAS pesou 18,7g no momento do ingresso. A maturidade sexual das fêmeas e machos é atingida no primeiro ano de idade, sendo que esta espécie pode ter uma longevidade superior a 15 anos. Alimenta-se principalmente de borboletas noturnas e escaravelhos que captura em voo, pousadas em ramos ou no solo, e abriga-se em edifícios, mas pode também ser encontrado em pontes, cavidades de árvores e fendas de rochas.

SÁBADO LIVRE | Devolução à natureza de um galeirão e três passeriformes

Embora estejamos com o próximo SÁBADO LIVRE à porta, não nos esquecemos de vos relatar o que aconteceu no anterior, e aqui deixamos umas linhas breves para aguçar a vontade de participar em todos aqueles que as leem!

Após a receção dos participantes no espaço interpretativo do RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, todos seguimos para a lagoa de água-doce da Quinta de Marim. Ali, junto ao observatório foi libertado o primeiro animal, um galeirão (Fulica atra). Embora a ave tivesse sido atropelada no final de outubro perto da praia de Faro, foi-lhe disponibilizado alimento adequado fortalecido com complexos vitamínicos, e teve uma recuperação rápida de um traumatismo craniano e hematoma. 

Devolução à natureza de um galeirão admitido no RIAS em consequência de um atropelamento. 

A libertação dos passeriformes, um lugre (Carduelis spinus) e duas milheirinhas (Serinus serinus), decorreu pela mão de visitantes do West Midlands Ringing Group, um grupo de anilhadores ingleses, que durante esta semana se encontram em trabalho de campo no Parque Natural da Ria Formosa. Estas três aves foram apreendidas pelo SEPNA/GNR de Tavira em conjunto com outros 14 passáros, mas não voaram aquando da libertação das restantes. Após recuperarem dos danos nas penas de voo durante a reabilitação, voaram sem quaisquer limitações sobre o espelho de água da lagoa.

Risos descontraídos no momento que se seguiu à libertação não antecipada do primeiro dos três passeriformes. 

Contamos consigo amanhã, para mais um Sábado... LIVRE!



Atualização em curso


Para melhorar as funcionalidades desta página, estamos a reestruturar o seu visual e conteúdos. Pedimos desculpa por eventuais contratempos que possam surgir durante este processo. Porque a nossa prioridade continua a ser o tratamento e reabilitação dos animais ingressados, não podemos prometer que esta atualização seja breve, mas vamos tentar!

Em Outubro recebemos a Maya / Maya just arrived in October

Ela é a mais recente voluntária a trabalhar no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens. Chegou em meados de Outubro e ficará connosco durante um ano, no âmbito do Serviço Voluntário Europeu. Bem-vinda, Maya!

She is the most recent volunteer working in RIAS - Wildlife Rehabilitation and Research Centre. Arrived in mid-October and will stay with us one whole year, on the ambit of the European Voluntary Service. Welcome, Maya!




















MAYA DINAPOLI

Venho de Alghero, uma cidade no norte da Sardenha, em Itália. Tenho apenas 20 anos e, neste momento, sou a voluntária mais jovem a trabalhar no RIAS. Estudei línguas estrangeiras na escola secundária e, após terminar os estudos, trabalhei num aquário situado na minha cidade natal. Voluntariei-me para o RIAS porque queria viajar e crescer fazendo algo útil para a sociedade. No meu tempo-livre sou obcecada com artes marciais, pois sou judoka desde os 6 anos de idade. Espero que o trabalho no RIAS me ensine a derrotar alguns medos (para que possam imaginar… embora trabalhe num parque natural tenho medo de abelhas!), a compreender outras pessoas e apoiar a conservação da natureza. Sou uma pessoa positiva e curiosa em fazer novos amigos: frequentemente sou conhecida como a rapariga que fala com qualquer pessoa que a consiga ouvir!

I'm from Alghero, a city in the northern Sardinya, in Italy. I am just 20 years-old and the youngest volunteer at the moment in RIAS. I studied foreign languages at high school and, after completing my studies, worked in an aquarium in my hometown. I volunteered for RIAS because I wanted to travel and grow up doing something useful for society. In my free time I am obsessed with martial arts, being a judoka since I was 6 years-old. I hope that working in RIAS will teach me to defeat some of my fears (just for you to imagine… although working in a natural park I am afraid of bees!), to understand other persons and to aid nature conservation. I'm a very solar person and curious to know other persons: I'm always remembered as the girl that speaks with everyone which can listen to my voice!

Ingressam os primeiros passeriformes invernantes



Os primeiros passeriformes invernantes chegaram ao RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens no final de Outubro, tendo ingressado durante a última semana dois tordos-comuns (Turdus philomelos) e um estorninho-malhado (Sturnus vulgaris). Estas aves chegam-nos fragilizadas pela viagem migratória, sendo contudo desconhecida a verdadeira causa de ingresso. Embora não tenha sido possível recuperar duas delas, estando uma já morta aquando da entrega e tendo outra sucumbido durante a primeira noite de internamento, um dos tordos encontra-se actualmente em reabilitação de uma incapacidade de voar devido a um trauma na asa esquerda.

Tordo-comum com a asa esquerda imobilizada após ter ingressado com um trauma.

Estes foram apenas três registos, dentre os 38 animais (36 aves, 2 mamíferos) admitidos no RIAS durante a semana passada. Uma semana onde se inclui o caso ditoso de uma coruja-do-mato (Strix aluco) que sobreviveu a uma electrocussão em linha eléctrica, embora com lesões na asa direita. Esta encontra-se em recuperação, tendo-lhe sido untada pomada para queimaduras e aplicado um penso de Aloe vera sobre o pulso para evitar a necrose da asa afectada, contudo mantemos-nos apreensivos face à sua reabilitação, pois sabemos que a taxa de libertação de aves electrocutadas é baixa.

Coruja-do-mato ingressada por causa de electrocussão.

No que respeita às libertações, estas não decorreram apenas no SÁBADO LIVRE, e quem passou junto ao RIAS na sexta-feira terá fortuitamente coincidido, e até participado, na devolução à natureza de inúmeras gaivotas, que estiveram em reabilitação durante os meses de Setembro e Outubro. 


Captura de gaivotas na câmara de muda para serem devolvidas à natureza.











Estas libertações decorreram, mais ou menos, durante toda a tarde, e, no total, foram libertadas 13 gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e 18 gaivotas-d'asa-escura (Larus fuscus).


Devolução à natureza de oito gaivotas ao início da tarde de sexta-feira. 










Somando todos os números e comparando os registos de entradas e saídas na base de dados, constatamos que se tratou de uma semana excepcional, na qual as devoluções à natureza quase equipararam os ingressos de novos animais!

SÁBADO LIVRE | Devolução à natureza de três guinchos-comuns

Quando tomaram conhecimento da devolução à natureza de três guinchos-comuns (Chroicocephalus ridibundus) no SÁBADO LIVRE, a família Guimarães desde logo desejou presenciar o momento. Porém, tinham uma vontade maior de contribuir para que outros animais sejam recuperados com sucesso no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, e foi assim que a Yamuna e a Maria Flor se tornaram madrinhas destas aves.

Participantes junto ao moinho de maré da Quinta de Marim, onde se realizou a libertação.
















Embora provenientes de distintos locais da costa algarvia (Portimão, Lagoa e Vilamoura), estes três guinchos tiveram um historial clínico idêntico. Ingressaram no RIAS no início de Outubro, afectados por biotoxinas paralisantes. O processo de recuperação foi rápido e consistiu num tratamento inicial de fluído-terapia, seguido de disponibilização de alimento adequado e abundante até terminarem o estágio de voo numa espaçosa câmara exterior.
  
Yamuna e Maria Flor com as aves apadrinhadas, momentos antes da sua libertação.

Um casal de turistas curiosos, que visitava o Centro de Interpretação Ambiental do RIAS, também quis observar o regresso destas aves à natureza e, em conversa, caminhámos até ao moinho de maré para a libertação dos guinchos num local mais propício. Acompanhados da nossa alegria e muitos sorrisos, os três guinchos voaram juntos sobre a Ria Formosa, num voo ziguezagueante próprio de quem explora um território desconhecido.

Regresso à natureza dos três guinchos-comuns que estiveram três semanas em recuperação no RIAS.





Contamos consigo no próximo Sábado... LIVRE!