O RIAS é o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa e está localizado em Olhão. Desde meados de 2009 a sua gestão está a cargo da Associação ALDEIA, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a ANA-Aeroportos de Portugal, através do Aeroporto de Faro.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Projecto LIFE+ Trachemys - Divulgação

No seguimento do estágio FCT (Formação em Contexto de Trabalho) de uma aluna da Escola Profissional Alsud, Vera Barão, em colaboração com o Projecto LIFE+ Trachemys, foram criados dois cartazes informativos, em exposição no CIA - Centro de Interpretação Ambiental - do RIAS.



Aceda aos cartazes clicando sobre as imagens.
Estes cartazes compilam, de um modo muito acessível, informação essencial sobre o Projecto LIFE+ e sobre a problemática das espécies de cágados exóticos invasores.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Captura acidental em redes, linhas e anzóis de pesca

Os vários factores de ameaça a que as espécies animais estão sujeitas são, na sua maioria, os responsáveis pelo ingresso destas aves nos centros de recuperação. O abate a tiro, o cativeiro e o envenenamento ilegais são alguns dos factores de ameaça directamente provocados pelo ser humano, com o objectivo concreto de actuar sobre determinados animais. Existem, ainda, alguns factores antropológicos que poderemos considerar como “indirectos”, em que estruturas humanas provocam lesões nos animais selvagens, tal como a colisão contra estruturas variadas, electrocussão, atropelamento ou captura acidental/lesões provocadas por redes, linha ou anzóis de pesca.

Este último factor é particularmente importante quando nos referimos a espécies aquáticas, que se alimentam, habitam ou utilizam de algum modo os recursos marinhos ou dulceaquícolas, como são um grande número dos animais que habitam na costa algarvia e, assim, que podem ingressar no RIAS.


Desde o início da sua gestão pela Associação ALDEIA, em Outubro de 2009, este centro já recebeu 18 animais capturados ou feridos em redes, linhas ou anzóis de pesca. Desses, apenas 5 foram possíveis de devolver à Natureza e 3 foram transferidos para outros centros de recuperação ou educação ambiental. Mais de 50% dos animais que ingressaram nestas circunstâncias, não resistiram aos ferimentos ou foi necessário eutanasiá-los, o que demonstra a gravidade e impacto deste factor na fauna selvagem.







Espécie


Nome comum


Situação no RIAS
Data de ingresso
Ciconia ciconia
Cegonha-branca
Transferido
01-10-2009
Morus bassanus
Ganso-patola
Morreu após 2 dias
22-05-2010
Morus bassanus
Ganso-patola
Morto
26-05-2010
Morus bassanus
Ganso-patola
Morreu em 2 dias
28-07-2010
Morus bassanus
Ganso-patola
Libertado
19-01-2011
Pluvialis squatarola
Tarambola-cinzenta
Eutanasiado (primária)
24-01-2011
Phalacrocorax carbo
Corvo-marinho-de-faces-brancas
Libertado
29-01-2011
Larus michahellis
Gaivota-de-patas-amarelas
Morreu após 1º mês
09-02-2011
Larus michahellis
Gaivota-de-patas-amarelas
Eutanasiado (secundária)
15-02-2011
Phalacrocorax carbo
Corvo-marinho-de-faces-brancas
Morreu em 2 dias
23-03-2011
Phalacrocorax carbo
Corvo-marinho-de-faces-brancas
Libertado
24-03-2011
Phalacrocorax carbo
Corvo-marinho-de-faces-brancas
Libertado
24-03-2011
Larus michahellis
Gaivota-de-patas-amarelas
Libertado
16-04-2011
Caretta caretta
Tartaruga-comum
Transferido
23-04-2011
Larus michahellis
Gaivota-de-patas-amarelas
Morreu após 2 dias
26-04-2011
Caretta caretta
Tartaruga-comum
Transferido
03-05-2011
Larus michahellis
Gaivota-de-patas-amarelas
Morreu após 2 dias
15-05-2011
Morus bassanus
Ganso-patola
Morreu em 2 dias
24-05-2011
 
 

  Gaivota-de-patas-amarelas com um aparelho de anzóis preso no bico


Ganso-patola que ingressou devido a lesão provocada por um fio de pesca
 

Raio-x de um ganso-patola com um anzol no tracto digestivo
 

  Tartaruga-comum capturada em redes de pesca

Veja alguns dos casos que ocorreram no RIAS e foram já divulgados no nosso blog:



E ainda a reportagem de um caso de sucesso na recuperação de uma das tartarugas-comuns que ingressaram no RIAS, após ter ficado presa em redes de pesca, e cuja finalização da recuperação e libertação foram executadas pelo CRAM-Quiaios:

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Tartarugas-libertadas-na-Figueira-da-Foz.rtp&headline=20&visual=9&article=454018&tm=8





Algumas das artes de pesca amplamente utilizadas são as principais responsáveis por esta situação e sendo este um grave problema reconhecido a nível mundial, a Comissão Europeia solicitou ao Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM) que lhe “transmitisse uma avaliação da situação nas águas da União Europeia. Esse estudo permitiu identificar os tipos de pesca que levam a uma mortalidade das aves marinhas, bem como as principais zonas de pesca em que tal ocorre.

Esse estudo concluiu que, em primeiro lugar, a pesca com palangre é aquela que possui um maior impacto nas aves marinhas.

No Mediterrâneo, espécies inscritas na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) são atingidas por essas artes de pesca, nomeadamente a pardela sombria das Baleares (Puffinus mauretanicus), em perigo crítico de extinção, e a pardela do Mediterrâneo (Puffinus yelkouan), quase ameaçada de extinção. A pardela-de-bico-amarelo (Calonectris diomedea) é a espécie que mais frequentemente é vítima dessas capturas acessórias. Nas águas do Atlântico Norte, os fulmares (Atlântico Nordeste), os gansos-patola (mares ibéricos) e as pardelas (mares ibéricos e célticos) figuram entre as principais vítimas das capturas acidentais. (1)

Outra arte de pesca que coloca problemas: as redes de emalhar. As aves mergulhadoras (pardelas, corvos-marinhos, mobelhas…) ficam presas nas malhas destas redes e acabam por se afogar, em especial no mar Báltico e no mar do Norte. Várias dezenas de milhares de patos-de-cauda-afilada (Clangula hyemalis) morrem todos os anos nestas redes. O êider de Steller (Polysticta stelleri), classificado entre as espécies vulneráveis, é também extremamente afectado.” (1)

Atendendo a esta avaliação e à importância deste assunto, a Comissão Europeia propõe cinco campos de acção. “Seria conveniente, em primeiro lugar, melhorar os nossos conhecimentos sobre as capturas acidentais, uma vez que os dados continuam a ser lacunares. Em segundo lugar: trata-se de implementar, nas zonas problemáticas identificadas, pelo menos duas medidas de limitação escolhidas dentre um leque de possibilidades: colocar as redes de noite, lastrar as redes de forma a que não flutuem, dispor redes de dissuasão, etc. Um terceiro campo de acção destina-se a incentivar a adopção de tais medidas nas águas internacionais no seio das ORP (Organizações Regionais de gestão das Pescas). Em quarto lugar: favorecer a investigação, a fim de melhorar o arsenal de dispositivos de prevenção existentes. Por fim, um quinto campo de acção seria o da formação dos pescadores para a utilização destes dispositivos.” (1)

 Para além da contribuição das artes de pesca neste factor de ameaça à fauna portuguesa, cada indivíduo poderá contribuir para a diminuição deste problema através de gestos tão simples como recolher os desperdícios da pesca que produza ou encontre nas praias e colocá-los nos locais apropriados ou alertando as autoridades sempre que encontra algum animal preso nas linhas, redes ou anzóis.

A recolha dos animais no local deverá ser sempre executada por autoridades competentes e conhecedoras de modo a evitar o aparecimento de lesões, ou a sua intensificação, e stress para o animal ou lesões na própria pessoa que o recolhe. Conhecer detalhes como a ausência de narinas nos gansos-patola (adaptação à sua capacidade de mergulho) farão toda a diferença no momento da sua manipulação (nunca se poderá fechar o seu bico completamente ou a ave sufocará)

Na necessidade eminente de ter que recolher um destes animais, recorde-se de que se tratam de animais selvagens feridos e que muito provavelmente, na impossibilidade de conseguirem escapar, se tentarão “defender”. Anzóis presos num animal deverão ser sempre cortados e não puxados. No caso das linhas e redes, também deverão ser cortadas e apenas retiradas do corpo do animal se não provocarem lesões ou, nesse caso, somente na presença de um veterinário que possa actuar prontamente em caso de hemorragia ou fractura.







Bibliografia:

(1) In: A pesca e a Aquicultura na Europa, revista n.° 49, Publicação da Comissão Europeia, Direcção-Geral dos Assuntos Marítimos e da Pesca, Novembro de 2010
(2) In: Sensibilização aos pescadores da pesca de espinhel para a redução da mortalidade de aves marinhas no Brasil, Sara Ferreira de Sousa Monteiro, Universidade de Aveiro, 2005

Para mais informações:

terça-feira, 21 de junho de 2011

Poesias do RIAS

Cegonha-branca

A nível mundial uma ave emblemática,
Sua figura deve ser usada como didáctica.
Mas no passado encontrava-se em declínio.
Porque não a cuidámos no nosso domínio.

É mesmo capaz de comer tudo o que achar
Quer em campos agrícolas ou em lixeiras.
Para postes eléctricos gosta de ir nidificar
Onde nos deslumbra de muitas maneiras.

Autor: Mauro Hilário



Foto de Thijs Valkenburg

Libertação: 18 de Junho de 2011

Devolução à natureza de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
Chalé João Lúcio, Pinheiros de Marim, Olhão

Esta cegonha juvenil foi entregue no RIAS por um Vigilante da Natureza do PNRF, após ter sido recolhido por uma equipa SEPNA por ter caído do ninho. Não apresentava qualquer lesão à entrada pelo que o seu processo de recuperação consistiu em alimentação adequada, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo em espaço próprio para tal.

Encontravam-se presentes cerca de 35 pessoas, os quais baptizaram a ave de "Marim".



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Esta libertação foi realizada em colaboração com a Ecoteca de Olhão que, nesse dia, se encontrava a realizar a "Feira do Solstício de Verão". Para mais informações acerca das actividades desenvolvidas neste espaço, visite ecotecadeolhao.blogspot.com.

O RIAS agradece o convite feito pela Ecoteca e a todos os presentes na libertação.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Libertação: 11 de Junho de 2011

Devolução à natureza de 1 Camaleão (Chamaeleo chamaeleon)
Quinta de Marim, Olhão

Este animal foi encontrado na EN 125 perto dos Salgados, em Faro. Um motociclista reparou que o camaleão se encontrava em vias de ser atropelado, recolheu-o e dirigiu-se ao RIAS com o animal.

Após realizado o exame clínico, que não revelou quaisquer lesões, procedeu-se à sua imediata libertação na Quinta do Marim, um lugar seguro e apropriado para a espécie. Colaboradores do RIAS baptizaram-no de "Jared".


terça-feira, 14 de junho de 2011

Libertação: 08 de Junho de 2011

Devolução à natureza de 1 ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)
Quinta de Marim, Olhão

Este animal foi encontrado em Olhão, dentro de uma propriedade privada, encurralado por cães. O proprietário conseguiu recolher o animal a tempo e posteriormente entregou-o no centro.
Após o exame clínico, que não revelou quaisquer lesões, concluiu-se que este se encontrava um pouco desidratado e desorientado. Assim sendo, o processo de recuperação consistiu em descanso e alimentação adequada à espécie.

Após alguns dias em recuperação foi devolvido à natureza por técnicos do RIAS que o baptizaram de Mousse-de-figo.




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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Libertação: 08 Junho de 2011

Devolução à natureza de 1 andorinhão-preto (Apus apus)
Quinta de Marim, Olhão

No passado dia 8 de Junho, o RIAS devolveu à natureza um andorinhão-preto que se encontrava em recuperação.

Este animal foi encontrado na zona de Quelfes, por um particular, que o recolheu e entregou directamente no centro. No exame clínico foram detectadas pequenas feridas secas e antigas na região peitoral, pelo que a suspeita de ingresso será predação. 
O processo de recuperação consistiu na lavagem e desinfecção das feridas, alimentação cuidada e descanso. Verificada a sua capacidade de voo e atendendo à sua boa condição física, a ave foi prontamente devolvida à Natureza pelo mesmo particular que a encontrou. Foi baptizada de "Quarta-feira".


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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Libertação: 06 de Junho de 2011

Devolução à natureza de 1 Melro (Turdus merula)
Quinta de Marim, Olhão


Na passada segunda-feira, o RIAS devolveu à natureza um Melro que se encontrava até então em recuperação.

Este animal foi encontrado por particulares que o recolheram e entregaram no nosso centro. A causa de ingresso foi queda de ninho, uma vez que se tratava de uma cria.
O processo de recuperação consistiu em alimentação cuidada, contacto com aves da mesma espécie e, numa fase final, musculação.



Foi devolvido à natureza pelos mesmos particulares que o encontraram.

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Libertação: 7 de Junho de 2011

Devolução à natureza de 2 Andorinhas-dos-beirais (Delichon urbicum)
Faro

No passado dia 7 foram devolvidas à Natureza duas andorinhas-dos-beirais recuperadas no RIAS. Estes animais ingressaram no centro após terem caído do ninho, sendo provenientes de Faro.

O seu processo de recuperação consistiu em alimentação cuidada, contacto com aves da mesma espécie e musculação. 
Agora que já apresentavam peso adequado e a 1ª muda de penas completa, foram libertadas no Largo de S. Francisco, em Faro, junto a uma colónia de andorinhas da mesma espécie. 
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Nesta libertação estiveram presentes os responsáveis pela entrega de uma das aves e estas foram baptizadas de "Brisa" e "Sky".

Agrupamento Vertical de Escolas D. Paio Peres Correia, Tavira

Em colaboração com a Câmara Municipal de Tavira, o RIAS realizou uma acção de educação ambiental no Agrupamento Vertical de Escolas DPaio Peres Correia, no passado dia 3 de Junho.

Esta acção envolveu cerca de 40 crianças e professores e incluiu uma apresentação sobre o RIAS, o trabalho desenvolvido pelo centro e alguns dos animais da fauna portuguesa, bem como alguns momentos para esclarecimento de dúvidas. 


O RIAS agradece o convite às entidades organizadoras.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Libertação: 01 de Junho de 2011

Devolução à natureza de 1 Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)
Olhão

A convite da Câmara Municipal de Olhão e na sequência da 7ª Semana da Criança e Ambiente, o RIAS devolveu à natureza uma Gaivota-de-patas-amarelas até então em recuperação no centro.

Este animal ingressou no centro por ter ficado preso numa linha de pesca, o que lhe provocou vários ferimentos em ambas as patas e asas.

O processo de recuperação consistiu na limpeza e desinfecção das feridas, até à total cicatrização, descanso e alimentação adequada à espécie. Posteriormente, foi colocada numa câmara de voo exterior onde lhe foi permitido realizar pequenos treinos de voo e estar em contacto com animais da mesma espécie.

Foi devolvido à natureza por alunos da Escola EB1 da Cavalinha, que a baptizaram com o mesmo nome da sua escola.




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Anteriormente à devolução da ave, o RIAS realizou uma pequena explicação que consistiu em dar a conhecer aos presentes (cerca de 150 crianças e professores) todo o trabalho e importância do Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, bem como algumas características destes animais.

A equipa do RIAS gostaria de agradecer a todas as entidades responsáveis o convite para esta actividade!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Poesia do RIAS

Abutre-preto

Do nosso velho mundo ele é o Rei Abutre
A sua raridade compaixão em nós nutre.
Tem como ameaças incêndios e veneno,
Há que construir um ambiente mais ameno.

Com asas rectangulares na sua silhueta
E com uma cabeça de penas desprovida,
É das maiores aves de rapina do planeta
E é bom que a sua situação seja conhecida.

Autor: Mauro Hilário

Foto de Thijs Valkenburg

Libertação: 31 de Maio de 2011

Devolução à natureza de 2 Abutres-pretos (Aegypius monachus)

O RIAS, em colaboração com o CERASdevolveu à natureza dois Abutres-pretos que se encontravam em recuperação no centro desde o final de 2010.
Um dos abutres foi encontrado nos arredores de Mértola e o outro em Alvor. Ambos ingressaram no RIAS por se encontrarem magros e debilitados devido à dificuldade de encontrarem alimento durante a sua dispersão.


O seu processo de recuperação consistiu em alimentação indicada para necrófagos, de modo a aumentar o seu peso, e posteriormente em treinos e exercícios de voo, num túnel de voo com 50 metros de comprimento.

Depois de apresentarem uma boa condição corporal e estarem aptos a voar, foram libertados perto de Castelo Branco por funcionários e colaboradores do CERAS e do RIAS e na presença de um Vigilante da Natureza do ICNB. Foram baptizados de "Inuaf" e "Moldo".



Ambas as aves foram marcadas com anilhas PVC e marcas alares no seguimento de um projecto importantíssimo de estudo de aves necrófagas desenvolvido pelo CERAS. Esta marcação permite a visualização e identificação destas aves a longo alcance, possibilitando o acompanhamento do seu  comportamento e deslocações.


Esta espécie tem como estatuto de conservação "Criticamente em Perigo", sendo uma das aves mais raras da Europa, tanto que em 2011 apenas se verificaram 3 tentativas de nidificação em Portugal, sendo que somente uma foi bem sucedida. Por esta mesma razão, foi tão importante a sua marcação.
Agradecemos desde já a colaboração do INUAF que apadrinhou os abutres, a ajuda do CERAS no transporte e marcação dos mesmos e ainda a presença de um representante do ICNB.

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