O RIAS é o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa e está localizado em Olhão. Desde meados de 2009 a sua gestão está a cargo da Associação ALDEIA, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a ANA-Aeroportos de Portugal, através do Aeroporto de Faro.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Libertação: 30 de Janeiro de 2010

Libertação de um Pato-real (Anas platyrhynchos)
30 de Janeiro de 2010, Sábado
15:00 Lagoa dos Salgados - Armação de Pêra




Esta ave foi recolhida, muito debilitada, por um particular numa avenida em Armação de Pêra, no início de Janeiro deste ano e foi encaminhada para o RIAS pela equipa SEPNA/GNR de Silves. No RIAS o processo de recuperação consistiu em alimentação, contacto com indivíduos da mesma espécie e treinos de voo. Por se encontrar apto para ser devolvido ao meio natural a que pertence, foi libertado na Lagoa dos Salgados, um habitat adequado a esta espécie.

A libertação foi precedida por uma sessão de educação ambiental com o Agrupamento de Escuteiros de Armação de Pêra sobre o trabalho do RIAS e sobre as espécies de patos mais comuns na região.

Nesta acção estiveram presentes cerca de 55 pessoas que baptizaram o pato de "Escuteiro".

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Libertação: 24 de Janeiro de 2010

Libertação de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
24 de Janeiro de 2010, Domingo
11:00, Sagres

(Fotografia de Vitor Azevedo)

Esta águia foi encontrada por um particular perto da EN125, em Sagres, pelo que se suspeita que tenha sido vítima de atropelamento. Foi entregue no RIAS pela equipa SEPNA de Portimão. Não apresentava fracturas nem lesões graves, à excepção de uma pequena ferida na cabeça que foi necessário suturar e tratar. O processo de recuperação desta ave incluiu tratamentos veterinários, contacto com outros indivíduos da mesma espécie e treinos de voo e caça.

Por se encontrar apto para ser devolvido ao meio natural onde pertence, este animal foi libertado na presença de alguns particulares, tendo sido baptizado de "Sagres".

sábado, 23 de janeiro de 2010

Abate a tiro ilegal

Os animais selvagens que ocorrem em Portugal estão sujeitos a diversos factores de ameaça mas, dependendo da sua espécie, do seu tamanho, abundância, hábitos alimentares, requisitos de habitat ou até mesmo do modo como são vistos pelos seres humanos, alguns são mais vulneráveis do que outros. Estes factores de ameaça são, na sua maioria, os responsáveis pelo ingresso destas aves nos centros de recuperação. Assim sendo, as principais causas de ingresso nos centros são: cativeiro ilegal, queda do ninho, colisão com estruturas variadas, atropelamento, electrocussão, envenenamento, debilidade/desnutrição e abate a tiro.

Apesar de ser ilegal abater qualquer espécie animal protegida (Decreto-Lei nº 316/89 de 22 de Setembro, transposição para a legislação nacional da Convenção de Berna – Anexo II) e de existirem leis reguladoras dos actos de caça que estipulam quais as espécies cinegéticas (“que se podem caçar”) e respectivas épocas e meios de caça, muitas espécies protegidas e ameaçadas são ainda alvejadas de modo intencional.

Qualquer animal está sujeito a esta ameaça mas os que maioritariamente ingressam nos centros com lesões devido a tiro são os mais comuns e/ou os menos “queridos” entre a população humana, como aves de rapina de variadas espécies ou mamíferos carnívoros.

Muitas vezes, estes animais apresentam fracturas e/ou outras lesões consideradas “normais” e apenas com a realização de radiografias se detecta a presença de chumbos. As lesões são, em grande parte, bastante graves, levando a um período de recuperação complicado e moroso ou, noutros casos, à necessidade de eutanásia.


Fractura exposta na asa, provocada por tiro (Bubo bubo)

Desde Novembro de 2009, ingressaram já no RIAS 7 aves selvagens pertencentes a espécies protegidas, abatidas a tiro:

2009:
Bufo-real
Bubo bubo – Proveniente de Castro Verde – Ingresso a 23-11-2009
Bufo-real
Bubo bubo - Tavira - 11-12-2009
Águia-calçada
Aquila pennata - Beja - 22-12-2009

2010
Águia-calçada
Aquila pennata - S. Brás de Alportel - 1-01-2010
Águia-cobreira
Circaetus gallicus - Olhão - 5-01-2010
Águia-de-asa-redonda
Buteo buteo - Loulé - 15-01-2010
Águia-de-asa-redonda
Buteo buteo - Olhão - 16-01-2010


Raio-X evidenciando a localização dos chumbos - pontos brancos (Circaetus gallicus)

Raio-X evidenciando as lesões e a localização dos chumbos (Bubo bubo)

Muitas das aves que ingressam no RIAS são migratórias (como as das espécies Aquila pennata e Circaetus gallicus) o que torna o processo de recuperação ainda mais prolongado uma vez que, caso seja possível devolvê-las à natureza, é necessário aguardar a época de migração seguinte. Assim, o tempo de manutenção destes animais no centro aumenta e, consequentemente, aumenta também a probabilidade de ocorrência de problemas associados.

O facto da maioria das aves feridas ser proveniente da zona do Algarve, não significa que apenas nesta região se verifiquem estes abates mas sim que se poderá verificar aqui um elevado nº de casos de abate a tiro ou, também, uma maior eficiência na detecção e recolha dos animais feridos ou dos cadáveres.

De referir ainda que estes casos se dão maioritariamente durante os períodos venatórios (épocas de caça), podendo no entanto, menos frequentemente, ocorrer fora destes. Esta coincidência pode ser explicada por uma maior afluência de pessoas armadas no campo que poderão abater estas aves mas também por um maior nº de pessoas que poderão detectar os animais feridos.

Estes dados tornam-se extremamente importantes e preocupantes por variadas razões:

- Quantidade/frequência com que se verificam os abates ilegais (conhecimento de 7 casos em 2 meses);
- Algumas destas aves são provenientes de áreas próximas ou pertencentes a áreas protegidas;
- 3 espécies apresentam um estatuto de conservação de “Quase ameaçado” (Bufo-real, Águia-calçada e Águia-cobreira)
- 2 espécies são migratórias (Águia-calçada e Águia-cobreira), também protegidas por lei noutros países que habitam ou atravessam.

Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)

Águia-calçada (Aquila pennata)

Águia-cobreira (Circaetus gallicus)

Bufo-real (Bubo bubo)

Acções de educação e formação ambiental direccionadas a grupos importantes nesta temática, como os caçadores, e a toda a população em geral, que visem uma correcta e acessível explicação sobre a biologia e ecologia destas espécies e sobre a sua importância no equilíbrio dos ecossistemas e na manutenção de populações-presa mais fortes e saudáveis, poderão contribuir para uma melhoria do conhecimento e vontade de protecção destes animais. É também necessário transmitir a função dos centros de recuperação no tratamento e devolução destes animais ao seu habitat natural.

Da parte das autoridades competentes, será ainda necessário reforçar os meios de vigilância e aumentar o esforço para que seja dada a devida continuidade aos processos legais que visam condenar os responsáveis pelo abate a tiro de espécies protegidas.

Um controlo e uma vigilância apertados, associados a um crescente aumento da sensibilização e educação ambiental, poderão ser a chave para o início da resolução deste problema.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Semana de Voluntariado RIAS: 13 a 21 de Fevereiro de 2010

Apesar de todos os trabalhos de remodelação efectuados em campanhas de voluntariado ao longo do último semestre de 2009, o RIAS encontra-se ainda em fase de remodelação e arranjo de estruturas. Para tal, necessita da colaboração de todos os interessados para uma semana de trabalho e convívio onde serão realizadas tarefas variadas:

- Arranjo de redes das jaulas exteriores
- Pintura de instalações
- Construção de uma bancada na área de lavagem
- Construção e colocação de poleiros e caixas abrigo
- Limpeza de vegetação das jaulas

Durante toda a semana haverá ainda algumas actividades lúdicas paralelas, destacando-se a Festa de Carnaval (dia 15 - 2ª feira) com a temática “Fauna Autóctone” onde todos os participantes terão de se fantasiar de acordo com o tema.

Venha colaborar nesta iniciativa!

Condições de Voluntariado
A cada voluntário do RIAS garantimos alimentação e será emitido um certificado de colaboração.

Material Recomendado
Roupa confortável e resistente, chapéu, protector solar, luvas de jardinagem, etc.

Material Facultativo
Alicate, martelo, serrotes, pregos, parafusos, corda, ancinho, enxadas, tesouras de poda, baldes, pincéis, etc.
Este material facultativo pode ser essencial para o trabalho de todos os voluntários em simultâneo pelo que pedimos o seu empréstimo para estes dias de trabalho.

Agradecemos a sua disponibilidade e colaboração!


Para mais informações e inscrições contacte-nos.

O RIAS no Facebook


Com o objectivo de alcançar um público mais vasto e de transmitir as mais variadas informações, e reconhecendo a visibilidade desta rede social, o RIAS possui agora uma página no Facebook. Este espaço estará disponível para qualquer visitante (independentemente de ter ou não uma conta no Facebook) e irá disponibilizar informação sobre as actividades realizadas por este centro, fotografias e ainda um espaço para discussão de temas relacionados com conservação e recuperação de fauna selvagem.
A página está já disponível aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Libertação: 31 de Dezembro de 2009

Libertação de uma coruja-do-mato (Strix aluco)
31 de Dezembro de 2009, 5ª feira
19h - Arrochela (Silves)


(Fotografia de Joost Valkenburg)

Esta coruja ingressou no RIAS por se encontrar bastante debilitada. No centro sofreu um processo de recuperação que consistiu em alimentação, treino de voo e caça. Por se encontrar apta para ser devolvida ao meio natural onde pretence, este animal foi apadrinhado e libertado por particulares que têm vindo a apoiar o trabalho do RIAS.

A ave foi baptizada de "Rafael" pelas crianças que estavam presentes.

Libertação: 30 de Dezembro de 2009

Libertação de uma Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) e de um Galeirão (Fulica atra)
30 de Dezembro de 2009, 4ª feira
Quinta do Marim, Olhão



Estas aves foram entregues no RIAS por particulares por se encontrarem debilitada (no caso da gaivota-de-asa-escura) e ferido (no caso do galeirão). No centro foram sujeitas a um processo de recuperação que consistiu em tratamento veterinário, alimentação, contacto com outras gaivotas e treinos de voo. Por se encontrarem aptas a serem devolvidas natureza, estas aves foram libertadas numa pequena sessão de sensibilização com cerca de 10 pessoas.