O RIAS é o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa e está localizado em Olhão. Desde meados de 2009 a sua gestão está a cargo da Associação ALDEIA, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a ANA-Aeroportos de Portugal, através do Aeroporto de Faro.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Libertação: 18 de Outubro 2010

Libertação de 2 Texugos (Meles meles)
Minas de Neves-Corvo, Almodôvar

No passado dia 18 de Outubro de 2010, o RIAS procedeu à libertação de dois texugos que se encontravam em recuperação neste centro.

Estes animais foram encontrados na propriedade das Minas de Neves-Corvo (SOMINCOR) durante trabalhos de construção. Foi avistada a fuga da progenitora com duas crias, ficando outras duas para trás. O departamento de ambiente da SOMINCOR tratou destes animais durante um curto período de tempo, após o qual as entregou ao cuidado dos técnicos do Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG). As crias permaneceram nestas instalações durante alguns dias, sendo alimentados de 2 em 2 horas.


No dia 8 de Fevereiro foram encaminhados para o RIAS, para a continuação do processo de recuperação. Inicialmente, uma vez que se tratavam de crias, foram alimentados a biberão de 4 em 4 horas, tentando-se sempre minimizar o contacto com os tratadores.



Ao longo do tempo, foi-se aumentando o intervalo entre as refeições e fornecendo papas de fruta para lhes permitir ganhar uma maior independência. A partir do momento em que já se alimentavam sozinhos, foi feito um enriquecimento alimentar que passou por fruta, queijo fresco, ovo e ração humedecida.


Sendo os texugos animais que vivem em comunidade, o facto de serem dois animais foi importante para o sucesso de todo este processo, uma vez que interagiam constantemente um com o outro.
Em Abril foram transferidos para as instalações exteriores do RIAS, de forma a eliminar o contacto directo com pessoas. Nestas instalações, puderam desenvolver os seus instintos naturais, escavando, procurando alimento e explorando o ambiente que os rodeava.




Nesta fase, a alimentação foi novamente ajustada e enriquecida, passando a ser fornecida uma dieta semelhante à que estes animais encontram na natureza: fruta, hortaliça, tubérculos, ratinhos mortos e cogumelos, entre outros.
Deste o seu ingresso, o peso dos animais foi monitorizado frequentemente, tendo evoluído normalmente. Os seus comportamentos foram também avaliados recorrendo ao auxílio de câmaras de videovigilância instaladas na jaula.

Dado que se tratava de um caso inédito em Portugal, contamos com o imprescindível apoio de Pauline Kidner (Secret World Wildlife Rescue), que graças à sua grande experiência na recuperação destes animais, nos recomendou algumas técnicas de manuseamento e alimentação. Agradecemos desde já todo o apoio prestado - Thank you Pauline!

Com a aproximação da data da sua devolução à natureza, o RIAS contactou o departamento de ambiente da SOMINCOR, que se mostrou totalmente disponível para preparar um local que acolheria estes animais. Uma vez que se tratavam de crias, recorreu-se a uma técnica de libertação suave, para que a sua devolução à natureza fosse feita de uma forma gradual.



Esta técnica consiste numa instalação adequada à espécie, que foi construída no local da libertação. Este equipamento deve permitir que o animal observe o mundo exterior e interaja com outros animais. O animal é alimentado inicialmente por um tratador, sem que o consiga ver. Quando o animal se encontra suficientemente adaptado para ser capaz de se alimentar sozinho, é-lhe permitido que saia para o exterior, sendo que o alimento continuará a ser fornecido nas proximidades do local, mas diminuindo periodicamente a frequência com que este é disponibilizado. A alimentação deverá ser mantida até que o animal se torne independente de forma natural. Quando alcançar esta fase, a alimentação deverá ser interrompida.
Neste caso em concreto, foi construída uma toca (sett) vedada, que inclui um sistema subterrâneo de tubos, galerias, uma charca e locais de abrigo exteriores.



A alimentação dos animais está a ser garantida por técnicos do departamento de ambiente da SOMINCOR e a vedação será aberta definitivamente após o final da época de caça. Estes dois animais foram marcados com microchip, para na eventualidade de serem recapturados ser possível a sua identificação.

O RIAS agradece a todos os envolvidos neste caso de sucesso, nomeadamente: SOMINCOR, Secret World Wildlife Rescue, Técnicos do PNVG/ICNB, Padrinhos e Madrinhas destes animais, MAKRO de Faro (Iolanda), Helena Rio Maior, Dr.ª Filipa Costa, Filipe Moniz e FCUL.


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